Premiê da Itália reúne aliados para verificar solidez do governo

Ex-premiê Matteo Renzi ameaçou derrubar Giuseppe Conte

Giuseppe Conte depende de coalizão de partidos antes inimigos para se manter no poder
Giuseppe Conte depende de coalizão de partidos antes inimigos para se manter no poder (foto: ANSA)
09:02, 14 DezROMA ZLR

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, convocou os dois maiores partidos da base aliada para fazer uma verificação sobre a solidez de sua maioria parlamentar.

A série de reuniões começará às 16h30 (horário local) desta segunda-feira (14), com o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S). Já às 19h, o premiê receberá uma delegação do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda.

A ação de Conte chega após o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, também da situação, ameaçar derrubar o governo por causa da gestão dos repasses europeus para o pós-pandemia. Dissidente do PD, Renzi lidera o partido de centro Itália Viva (IV), que tem posição minoritária na base aliada, porém é essencial para Conte assegurar maioria no Senado.

A crise começou depois de o primeiro-ministro anunciar a intenção de montar uma força-tarefa de técnicos para gerir os repasses do fundo de recuperação criado pela União Europeia para resgatar a economia do bloco no pós-pandemia. O pacote totaliza 750 bilhões de euros, e a Itália será sua maior beneficiária em números absolutos, com 208,8 bilhões de euros.

"Não podemos aceitar que, em nome da emergência, 10 meses depois de seu início, se dê todos os poderes ao Estado para gastar esses 200 bilhões. Não tiramos Salvini [ex-ministro do Interior e ex-aliado de Conte] para isso", disse Renzi ao jornal espanhol El País na última sexta (11).

Em seguida, ao ser questionado se derrubará o governo caso Conte não recue, o ex-primeiro-ministro respondeu: "Sim, no sentido de que esse não é um problema de cargos, como me ofereceram. O Itália Viva é um partido pequeno, mas somos decisivos para o governo. Se Conte quer plenos poderes, assim como Salvini, eu digo não. É um problema de respeito às regras. E, neste caso, nós retiraremos nosso apoio ao governo".

Apesar de ter menos de 5% nas pesquisas de intenção de voto e 18 senadores (de um total de 320), o IV é crucial para o governo garantir maioria na "câmara alta". Sem o apoio de Renzi, Conte não teria votos suficientes no Senado e poderia ser forçado a entregar o cargo.

Até o momento, não está prevista nenhuma reunião do premiê com o Itália Viva. (ANSA) 

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