Assessora do Vêneto canta hino fascista em rádio e gera revolta

Pedidos de demissão de Elena Donazzan se acumulam

Elena Donazzan teve inúmeros pedidos de demissão protocolados no governo do Vêneto
Elena Donazzan teve inúmeros pedidos de demissão protocolados no governo do Vêneto (foto: Divulgação)
17:34, 11 JanVENEZA ZGT

(ANSA) - A assessora para a Educação do governo do Vêneto, Elena Donazzan, provocou uma onda de revolta de políticos, associações e da população local após cantar um hino fascista durante uma entrevista a uma rádio local neste domingo (10).

Após participação no programa "La Zanzara", acumularam-se pedidos para a demissão da política, que faz parte da sigla ultranacionalista Irmãos da Itália (FdI).

Durante a entrevista, feita por telefone, os apresentadores do programa pediram para que ela escolhesse entre a música"Bella Ciao", símbolo da Resistência Italiana contra o nazifascismo, e a "Facceta Nera", que se tornou um hino para os apoiadores do Benito Mussolini. A assessora, então, começou a cantar a segunda música e disse que seu avô também preferia a canção dos fascistas ao da Resistência.

O governador do Vêneto, Luca Zaia, do também ultranacionalista Liga, se manifestou sobre o caso e disse que Donazzan "precisa se desculpar o quanto antes". "Conheço sua sensibilidade. Não falei com ela, mas acho que as desculpas são fundamentais", disse o governador ressaltando que pedidos de demissão "eu recebo todos os dias".

Diversas associações estudantis também pediram a demissão da assessora, bem como partidos opositores a Zaia. "Esse clima de intolerável revisionismo histórico que já aparece como um fascismo manifestado de uma figura institucional é o símbolo de uma regressão cultural e civil", acusa a lista cívica dos partidos de esquerda que disputaram as últimas eleições regionais.

Com a ampla repercussão do caso, Donazzan voltou a se manifestar e disse estar sofrendo "ameaças e insultos" desde a entrevista e que é vítima de uma "armação da esquerda".

"Se alguém se sentiu ofendido, peço desculpas. A todos aqueles que buscam instrumentalizar para ressaltar o ódio, não tenho nada a dizer", disse ainda defendendo que "ninguém deve me dar lições sobre temas relativos ao segundo conflito mundial".

A assessora ainda afirmou que as redes sociais tiraram seus perfis do Twitter, Facebook e Instagram do ar após a publicação e se disse vítima de uma "limpeza étnica de pensamento". No entanto, as contas aparecem como desativadas e sem nenhum aviso das redes sociais sobre qualquer punição a elas - como ocorre nos casos de contas suspensas por violação das regras. (ANSA).
   

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