Premiê da Itália enfrenta pressão para fortalecer base aliada

Giuseppe Conte corre para ampliar a coalizão do governo

Giuseppe Conte corre para ampliar a coalizão do governo (foto: ANSA)
17:37, 24 JanROMA ZCC

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, está sob pressão para ampliar rapidamente a maioria de sua base aliada após sobreviver ao voto de confiança no Parlamento.

Neste domingo (24), o ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, afirmou expressamente que o governo do premiê tem 48 horas para conseguir uma maioria sólida ou o país irá à votação.

"Temos que encontrar uma solução em 48 horas, se as forças políticas querem se aproximar, tudo bem, senão vamos votar", disse o chanceler em entrevista à Rai 3. "Estamos trabalhando em um programa inovador", acrescentou.

Di Maio reforçou que o governo Conte está aberto se as forças políticas quiserem se aproximar, com base em um programa comum, para contribuir para ajudar os italianos.

A crescente crise política na Itália entra em um estágio decisivo nesta semana, pois Conte precisa fortalecer o apoio da coalizão entre o Movimento 5 Estrelas (M5S), o Partido Democrático (PD) e outras pequenas siglas de esquerda, depois da aliança ser enfraquecida, principalmente no Senado, com a saída do Itália Viva (IV).

O partido do ex-premiê Matteo Renzi deixou a base por discordar da distribuição de fundos europeus no plano de recuperação pós-pandemia.

Apesar de receber os votos de Confiança, Conte precisa ampliar sua bancada de forma a ter maioria absoluta no Senado e reforçar sua posição na Câmara. No entanto, uma simples derrota em uma votação no Parlamento poderia representar um golpe de misericórdia no governo.

As alternativas do primeiro-ministro são reabrir tratativas com o Itália Viva (ou com parlamentares insatisfeitos com a linha adotada por Renzi) ou negociar com legendas de centro-direita - dois senadores do Força Itália (FI), partido de Silvio Berlusconi, deram seu voto de confiança a Conte e foram expulsos pela sigla, principalmente porque os líderes dos partidos de direita e da extrema-direita já pediram a convocação de novas eleições.

O período de negociação, no entanto, deve se esgotar em breve tendo em vista a sessão desta semana na Câmara e no Senado, na qual será votada a gestão do ministro da Justiça, Alfonso Bonafede, expoente do M5S, que tem sido duramente questionado por sua reforma na pasta e pela liberação de criminosos no início da pandemia.

A expectativa é de que o Parlamento opte pela rejeição, especialmente o IV e a oposição de direita. A votação contrária seria uma derrota para o governo, o que confirmaria sua fragilidade no Legislativo. Desta forma, Conte tem se esforçado para conseguir novos apoios antes da sessão que está marcada para a próxima quarta-feira (27).

As negociações, porém, não têm sido fácil, já que alguns políticos estão recuando por serem contra Bonafede.

Enquanto isso, Renzi tenta manter em ordem suas cadeiras, já que alguns deputados e senadores não apoiam a crise aberta no pior momento do país. Com isso, surgiram sinais de novos apoios ao governo.

Muitos parlamentares apelam ao diálogo e a uma solução política para as divergências que ocasionaram na ruptura da base. O ministro de Assuntos Regionais, Francesco Boccia, inclusive, não exclui novas negociações com Renzi, desde que não haja chantagem.

"Sempre estivemos lá, Renzi sabe", disse o ministro em entrevista à Sky Tg24 . "Podemos nos confrontar a qualquer momento, o problema não é fazer chantagem, isso não é aceitável".

De acordo com Boccia, as razões para uma aliança legislativa são necessárias e devem ser encontradas, a partir do que uniu os vários partidos há mais de um ano. "Ou encontramos os motivos desta aliança social que construímos há um ano, ou me parece claro que não há alternativa para o julgamento dos italianos. Não é uma ameaça, mas sim uma consideração", finalizou. (ANSA)

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