Estudante brasileira é vítima de racismo em trem na Itália

Jovem foi obrigada a descer do vagão por ordem de funcionário

Jovem foi obrigada a descer em estação após ataques raciais de passageira
Jovem foi obrigada a descer em estação após ataques raciais de passageira (foto: WikimediaCommons)
14:24, 18 FevSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - Uma estudante brasileira de 19 anos foi vítima de racismo enquanto estava em um trem indo para a escola em Florença, denunciou o pai da jovem nesta quinta-feira (18) ao jornal "Corriere della Sera".

Segundo o relato, a estudante tinha feito todo o procedimento correto, com medição de temperatura na entrada da estação central de Prato, e estava usando máscara, conforme determina a legislação. Dentro do vagão da Trenitalia, em percurso que iria de Prato a Florença, ela espirrou por duas vezes e uma senhora - que ainda não foi identificada - começou a xingá-la.

Entre as ofensas, a mulher afirmou que "são negros como você que trazem o vírus", referindo-se à Covid-19, e ficou gritando que ela tinha a doença só por ter espirrado.

Nesse momento, um pessoa que se identificou como funcionária da Trenitalia foi até a moça e, ao verificar que ela estava com o ticket correto, exigiu que ela descesse na estação seguinte - sem medir novamente a temperatura dela ou fazer qualquer questionamento sobre a saúde.

Conforme o pai, a jovem então desceu na estação seguinte por achar que o homem que a abordou era o condutor do trem. Além de toda a humilhação, ela ainda se atrasou para a aula - já que o trem seguinte chegou só meia hora depois.

"O comportamento do condutor é inaceitável enquanto ele, implicitamente, se uniu à onda xenófoba e discriminatória da passageira que, se identificada, será objeto de denúncia penal, e sobretudo, decidiu afastar uma estudante que ia para a escola com base em uma mera descrição sem sequer se preocupar em medir a temperatura dela", disse o pai em uma carta enviada à Trenitalia e à mídia local.

Conforme o jornal italiano, a empresa de transportes está buscando identificar quem foi o homem que se identificou como funcionário que, além de ter agido de maneira incorreta com o procedimento interno, ainda se passou pelo condutor. (ANSA).

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