Sobrevivente de Auschwitz sofre ataques após se vacinar na Itália

MP de Milão abriu investigação por 'ódio racial' contra senadora

Liliana Segre foi vítima de insultos após ser vacina contra a Covid-19
Liliana Segre foi vítima de insultos após ser vacina contra a Covid-19 (foto: ANSA)
11:53, 19 FevMILÃO ZGT

(ANSA) - Sob coordenação da Procuradoria de Milão, a Polícia Postal irá investigar os insultos sofridos na internet pela senadora vitalícia e sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, Liliana Segre, após ela ter sido vacinada contra a Covid-19.

Segundo o procurador antiterrorismo milanês, Alberto Nobili, está sendo analisada a hipótese de crime de ameaça agravada por discriminação e ódio racial.

Segre, de 90 anos, recebeu a primeira dose do imunizante da Pfizer/BioNTech nesta quinta-feira (18) no hospital Fatebenefratelli no primeiro dia de vacinação dos idosos na Lombardia. Após a divulgação das imagens nas redes sociais, uma série de usuários começou a atacar a senadora.

Entre as frases usadas, estão referências de que "nem os alemães conseguiram matá-la e agora ela tem medo de morrer?" ou ainda que "esperamos que a vacina faça o seu dever... e a leve embora", além de inúmeros comentários antissemitas.

Os agentes estão buscando identificar os autores das mensagens nas redes sociais e, assim que forem localizados, responderão pelo crime.

Esse é a segunda investigação por ofensas aberta no Ministério Público de Milão. Recentemente, uma outra ação por ameaças e insultos foi iniciada e as autoridades ainda tentam localizar os autores. Diferentemente dessa vez, onde as pessoas postaram as mensagens através de perfis nas redes sociais, a primeira foi realizada através de e-mails.

O ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, afirmou que as frases contra Segre "são vergonhosas". "Insultos, ameaças e ataques deploráveis por parte de alguns covardes contra uma pessoa que, depois de ter vivido e superado o nazifascismo, representa hoje para todos nós um símbolo de memória, verdade e esperança", escreveu o chanceler.

Segre nasceu em 10 de setembro de 1930 e com apenas 13 anos foi enviada para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau na Polônia. Ao chegar no local, foi separada do pai - que foi assassinado pelos nazistas - e fez trabalhos forçados em uma fábrica de munições sob a identificação marcada em sua pele 75.190.

Em janeiro de 1945, participou da infame "marcha da morte", que foi como ficou conhecida a transferência de prisioneiros da Polônia para Alemanha.

Libertada no mesmo mês pelos soviéticos, passou a viver com os avós, os únicos familiares que sobreviveram ao genocídio. Por conta de sua trajetória, foi nomeada como senadora vitalícia pelo presidente Sergio Mattarella em 2018. (ANSA).
   

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA