Polícia investiga suposto mercado paralelo de vacinas na Itália

Autoridades vão apurar possíveis fraudes nas doses oferecidas,
Autoridades vão apurar possíveis fraudes nas doses oferecidas, (foto: ANSA)
21:20, 19 FevROMA ZCC

(ANSA) - A polícia italiana abriu uma investigação para apurar ofertas de vacinas anti-Covid feitas por terceiros não identificados às autoridades da região do Vêneto, o que resultaria em um mercado paralelo ao processo de aquisição de imunizantes em nível nacional e a europeu.

O inquérito está sendo liderado pelo Ministério Público de Perugia, que emitiu mandados para a obtenção de documentos regionais para verificar os métodos da compra e distribuição das vacinas.

O governador do Vêneto, Luca Zaia, e o diretor regional de saúde, Luciano Flor, afirmaram nesta semana que estão avaliando duas ofertas que receberam para a aquisição de um total de 27 milhões de doses da vacina Pfizer. Eles, no entanto, não revelaram a identidade das pessoas que os abordaram.

"A operação que Perugia está fazendo é bem-vinda, que finalmente vai esclarecer e nos colocar em posição de entender se estamos diante de um povo de vigaristas e fanfarrões ou se, entre tantos, também há quem tenha algo de bom", afirmou Zaia.

Segundo Flor, as duas propostas foram selecionadas de um total de cerca de 20 ofertas que a região ao norte da Itália recebeu de diversos intermediários nos últimos dias, incluindo algumas relacionadas ao imunizante da AstraZeneca e o russo Sputnik.

As abordagens, porém, são consideradas suspeitas e incomuns, principalmente porque as empresas farmacêuticas produtoras das vacinas contra o novo coronavírus Sars-CoV-2 já fecharam acordos com os governos nacionais e, neste caso, com a Comissão Europeia para fornecer as doses para os países-membros.

O inquérito tem como objetivo verificar um possível surgimento de um mercado paralelo, já que não está claro se as indústrias e laboratórios podem comercializar as vacinas legalmente para entidades não governamentais na Europa.

Além disso, as autoridades vão apurar possíveis fraudes nas doses oferecidas, que podem ter líquido adulterado. "Não realizamos nenhuma negociação de preços ou qualquer outra coisa, pois estamos esperando para ver se podemos ir em frente", disse Zaia, acrescentando que ninguém sabe "se as vacinas são boas ou más, se é só água destilada".

Hoje, o governador do Vêneto explicou ter pedido ao diretor regional de saúde que entrasse em contato com a polícia italiana especializada em inquéritos de fraude em alimentos e drogas para avisá-la sobre as ofertas recebidas.

Zaia também conversou com representantes da Agência italiana de medicamentos (AIFA) e com o comissário especial para a pandemia, Domenico Arcuri, para pedir que ambos avaliassem a legitimidade das propostas.

Paralelamente, a Promotoria de Roma abriu uma outra investigação para analisar supostos intermediários que teriam ofertados lotes de vacina e suprimentos contra o coronavírus Sars-CoV-2. A promotora Nunzia D'Elia coordena o inquérito por recebimento de bens roubados. (ANSA)

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