Ataque a comboio da ONU no Congo mata embaixador italiano

Attanasio representava a UE em missão de paz

Attanasio estava na RDC desde 2017 (foto: ANSA)
14:30, 22 FevROMA ZGT

(ANSA) - O embaixador da Itália na República Democrática do Congo, Luca Attanasio, morreu em um ataque contra um comboio da missão da Organização das Nações Unidas no país (Monusco), na cidade de Goma, nesta segunda-feira (22), informaram fontes à ANSA, em notícia confirmada posteriormente pelo Ministério das Relações Exteriores.

Também o policial da Arma dos Carabineiros Vittorio Iacovacci e o motorista do veículo faleceram. Ainda não se sabe quem realizou o atentado ou qual o motivo, apenas que os carros da comitiva das Nações Unidas foram o alvo.

Fontes policiais e do governo apontam que o ataque pode ter sido cometido pelas Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR). O grupo atual é uma espécie de dissidência dos rebeldes hutus, responsáveis pelo genocídio da etnia tutsi entre os meses de abril e julho de 1994.

Segundo a principal hipótese, os dois foram alvo de uma "tentativa de sequestro". O portal "Actualite", citando fontes do governo, disse que "os autores do ataque tinham como objetivo principal o próprio diplomata italiano".

Ainda conforme o portal, o atentado "ocorreu próximo a Goma no território Nyiragongo", onde interviram as Forças Armadas da RDC e "os guardas do Parque Nacional de Virunga".

Uma fonte do governo informou que Attanasio foi ferido por diversas vezes no abdômen e não resistiu aos ferimentos, chegando ao hospital de Goma "em condições críticas".

Horas após o ataque, a Procuradoria de Roma abriu uma investigação formal sobre a morte dos dois italianos por sequestro de pessoa com finalidade de terrorismo.

Os magistrados romanos têm competência legal para crimes cometidos no exterior e que têm como vítimas cidadãos italianos. As investigações ficarão com o Grupo de Operações Especiais (ROS) da capital.

Governo italiano -

Após a nota oficial do Ministério das Relações Exteriores da Itália, o ministro Luigi Di Maio foi informado sobre o caso enquanto participava de uma reunião da União Europeia.

O chanceler "manifestou imensa dor" pelo ocorrido e já anunciou que está viajando de volta a Roma.

Di Maio ressaltou que as circunstâncias do “brutal ataque” ainda “não são claras”, mas que “nenhum esforço será poupado para por luz sobre o que ocorreu”.

“Hoje o Estado chora a perda de dois filhos exemplares e se aproxima às famílias, aos amigos e aos colegas da Farnesina e dos Carabineiros”, disse.

Pouco depois, o primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, manifestou suas “profundas condolências” pelas mortes e também estendeu suas condolências aos familiares, colegas da Farnesina e da Arma dos Carabineiros.

Também se manifestou o presidente da Itália, Sergio Mattarella. “Recebi com consternação a notícia do vil ataque que há poucas horas atingiu um comboio internacional próximo à cidade de Goma, matando o embaixador Luca Attanasio, o carabineiro Vittorio Iacovacci e o seu motorista. A República Italiana está de luto por esses servidores do Estado que perderam suas vidas no cumprimento dos seus deveres profissionais na República Democrática do Congo”, escreveu o mandatário.

“Ao deplorar esse ato traiçoeiro de violência, todos os italianos se unem nas condolências às famílias das vítimas, às quais desejo transmitir as mais profundas condolências e a maior solidariedade”, finaliza.

Vítimas -

Attanasio tinha 43 anos e iniciou na carreira da diplomacia em 2003. Na Farnesina, atuou em diversas funções internas, sendo algumas, inclusive voltada para os africanos.

Na carreira internacional, foi chefe do Escritório Econômico na embaixada italiana em Berna (2006-2010) e cônsul-geral em Casablanca, no Marrocos (2010-2013). Também já foi conselheiro em Abuja, na Nigéria, em 2015, e desde 2017, era o chefe da missão Kinshasa, na RDC - tendo sido confirmado como embaixador no país em outubro de 2019.

Já o policial da Arma dos Carabineiros Vittorio Iacovacci tinha 30 anos e estava desde setembro do ano passado em missão no continente africano. O motorista não teve a identidade revelada.

Monusco - 

A Monusco foi criada em julho de 2010 com a missão de proteger os civis, as entidades humanitárias e defensores dos direitos humanos no país durante o processo de estabilização do governo. 

A missão é liderada pela representante especial da ONU, Bintou Keita, que há anos trabalha na entidade com foco na África.

A região leste da RDC é considerada bastante problemática por conta da presença maciça de grupos armados das mais diferentes vertentes, que atacam tanto a população civil como as ONGs internacionais que atuam na área para ajudar a fornecer ajuda humanitária.

UE se manifesta -

O porta-voz da Comissão Europeia, Eri Mamer, informou que o bloco está “extremamente preocupado e segue de maneira próxima” o atentado sofrido por um comboio da ONU.

“O alto representante [para Política Externa] apresentou suas condolências à Itália. O ministro também compartilha as informações com os colegas da UE”, acrescentou. (ANSA).

Notícia em atualização

 

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA