Itália tem 500 mil 'invisíveis' a campanha de vacinação

Estimativa foi enviada ao governo por ONGs humanitárias

Morador de rua na Estação Termini, no centro de Roma
Morador de rua na Estação Termini, no centro de Roma (foto: ANSA)
09:11, 22 FevROMA ZLR

(ANSA) - Um dos países mais afetados no mundo pela pandemia do novo coronavírus, a Itália tem cerca de 500 mil pessoas "invisíveis" à campanha de vacinação contra a Covid-19, o que equivale a quase 1% de sua população.

A estimativa está em uma carta enviada ao ministro da Saúde, Roberto Speranza, por uma série de ONGs e agências humanitárias, como Cáritas, Emergency e Médicos Sem Fronteiras. Entre os "invisíveis" estão moradores de rua, italianos e estrangeiros sem documentos, cidadãos europeus em condição de irregularidade, apátridas e uma parcela da população cigana.

Na carta, as entidades pedem que o governo estabeleça diretrizes nacionais para incluir essas 500 mil pessoas no plano nacional de imunização contra a Covid-19. "O direito à vacina existe, mas não é praticável", disse o advogado Marco Paggi, da Associação de Estudos Jurídicos sobre Imigração (ASGI).

A carta enviada a Speranza ainda cita uma diretiva publicada em dezembro pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), que aconselha priorizar na vacinação estruturas sem capacidade de garantir distanciamento físico, como albergues para moradores de rua e centros de acolhimento de migrantes e refugiados.

"Entre os estrangeiros, há um certo número de diagnósticos atrasados que, comportando um agravamento clínico, levam a um maior nível de hospitalização em relação aos italianos", acrescenta a carta.

Em cerca de dois meses de campanha de vacinação contra a Covid-19, a Itália já aplicou 3,5 milhões de doses, sendo que 1,33 milhão de pessoas já receberam as duas necessárias. (ANSA)

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