Itália é um país insatisfeito e com medo, diz estudo

Pesquisa revelou que "rebaixamento" de classe assombra italianos

Itália é um país insatisfeito e com medo, diz estudo
Itália é um país insatisfeito e com medo, diz estudo (foto: ANSA)
22:13, 04 DezSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - A retomada econômica é real, mas a Itália é um país insatisfeito. É o que diz o Relatório sobre a Situação Social do País, elaborado pelo instituto de pesquisas Censis, que afirma que os dividendos da recuperação pós-crise não foram distribuídos e que o bloqueio da mobilidade social cria "rancor".

O medo do "rebaixamento" é o novo fantasma social entre os italianos. 87,3% dos membros das classes populares acreditam ser difícil subir na pirâmide social, assim como 83,5% da classe média e 71,4% dos ricos. Por outro lado, 71,5%, 65,4% e 62,1%, respectivamente, pensam que é fácil escorregar para o patamar inferior.

Além disso, a imigração desperta "sentimentos negativos" em 59% dos italianos, número que aumenta conforme se desce na escala econômica: 72% entre donas de casa, 71% entre os desempregados e 63% entre os operários.

Segundo o relatório, 84% das pessoas não confiam nos partidos políticos, 78% não acreditam no governo, e 76% não creem no Parlamento. "A onda de desconfiança que atingiu a política e as instituições não perdoa ninguém", diz o estudo. 60% estão insatisfeitos com o funcionamento da democracia, e 64% estão convencidos de que a voz do cidadão não vale nada - e isso faltando cerca de três meses para as eleições legislativas.

"Não surpreende que os grupos sociais mais afetados pela crise, pela revolução tecnológica e pela globalização sejam também os mais sensíveis aos apelos do populismo e do soberanismo", observa o Censis.

Mão de obra estrangeira

Dos quase 2 milhões de trabalhadores estrangeiros na Itália, 88,5% atuam como operários, número que cai para 41% entre os nativos. Por outro lado, apenas 9,9% dos imigrantes trabalham em escritórios, contra 48% dos italianos.

"Falta uma visão estratégica que, além da emergência e do primeiro acolhimento, avalie no médio e longo prazo o tema da pobreza dos níveis de formação do capital humano que atraímos", afirma o relatório. Somente 11,8% dos imigrantes que chegam à Itália são formados, sendo que no restante da União Europeia essa cifra sobe para 28,5%.

Em 2016, 25,7% das famílias estrangeiras estavam em situação de pobreza absoluta, contra 4,4% das italianas. Cerca de 20% dos imigrantes residem em Roma e Milão (990 mil pessoas), e em 755 cidades, sobretudo as periféricas, a população aumentou unicamente por causa dos estrangeiros.

Vacinação

Nos últimos anos, a Itália teve surtos de doenças que estão praticamente erradicadas até em nações em desenvolvimento, como o sarampo, e o estudo do Censis ajuda a explicar os motivos.

Entre os adultos, a cobertura contra a gripe caiu de 19,6% em 2009-2010 para 15,1% em 2016-2017. Já a vacinação contra poliomielite (paralisia infantil) passou de 96,6% em 2000 para 93,3% em 2016; a contra a hepatite B, de 94,1% para 93%.

36,2% dos italianos são favoráveis apenas às vacinas cobertas pelo Estado; 31,2% confiam em qualquer tipo de imunização; e 28,6% têm dúvidas e sempre se consultam com médicos antes de decidir.

Na Itália, o tempo de espera por uma mamografia é de mais de 60 dias; por uma consulta com cardiologista, de mais de oito dias, e por uma colonoscopia ou ressonância, de mais de seis dias. (ANSA)

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