PF quer abrir inquérito sobre fraudes em cidadania italiana

Megaoperação desbaratou esquema com brasileiros na Itália

Macugnaga, de menos de 600 habitantes, virou 'Meca' de brasileiros atrás de cidadania
Macugnaga, de menos de 600 habitantes, virou 'Meca' de brasileiros atrás de cidadania (foto: Wikimedia Commons/Alessandro Vecchi)
15:57, 27 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O adido da Polícia Federal em Roma, Fernando Segovia, escreveu um ofício solicitando às autoridades da Itália informações para a abertura de um inquérito sobre um megaesquema de fraude em processos de reconhecimento de cidadania.

A operação foi deflagrada nesta terça-feira (26) e prendeu sete cidadãos brasileiros. O Ministério Público italiano diz que o grupo agia na província de Verbano Cusio Ossola, no Piemonte, e lucrou ao menos 5 milhões de euros com o reconhecimento de 800 cidadanias e a emissão de 200 passaportes.

A carta de Segovia é endereçada ao deputado Luis Roberto Lorenzato, eleito na América do Sul para um assento no Parlamento da Itália.

"Assim, os parabenizamos pelo sucesso desse inquérito e, ao mesmo tempo, nos colocamos à disposição para qualquer ajuda e pedimos informações para abrir uma investigação por parte da Polícia Federal no Brasil, que possa ajudar conjuntamente as autoridades brasileiras e italianas a encerrarem as atividades dessa máfia dos coiotes", escreveu o adido.

O ofício cita a possibilidade de que a quadrilha tenha cometido crimes de evasão de divisas e fiscal em ambos os países. "Foram presos sete cidadãos brasileiros, e ainda não sabemos suas identidades nem se eles têm conexões com outras pessoas no Brasil", acrescentou Segovia.

O esquema teria envolvido até um padre para falsificar atestados de batismo e fraudava documentos para forjar relações familiares com italianos. A operação nasceu após a Prefeitura de Macugnaga ter desconfiado do elevado número de brasileiros pedindo cidadania no município, que tem menos de 600 habitantes.

A quadrilha gerenciava cerca de 60 apartamentos, onde acomodava os solicitantes, e cobrava 7 mil euros (R$ 31 mil, pela cotação atual) de cada pessoa. "A situação é realmente muito grave, eu sugiro a todos que possam entender que não vale a pena vir para a Itália em um esquema ilegal", disse Lorenzato.

Segundo ele, o país europeu "gosta de seus descendentes", e "não é justo utilizar de meios escusos injustificáveis para se obter um direito de sangue que nós temos". "Essas pessoas irão responder aqui na Itália, e também já com inquérito no Brasil", acrescentou. Procurada pela ANSA, a Polícia Federal ainda não se pronunciou sobre o assunto. (ANSA)

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