Brasil celebra Dia do Imigrante Italiano neste domingo

Data relembra chegada de expedição ao Espírito Santo

Italianos na Hospedaria de Imigrantes em 1890
Italianos na Hospedaria de Imigrantes em 1890 (foto: Wikimedia Commons)
17:29, 20 FevSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O Brasil celebra neste domingo (21) o Dia do Imigrante Italiano, instituído em 2008 para homenagear o maior movimento migratório internacional da história do país.

Essa data foi escolhida para relembrar a chegada em Vitória (ES) do navio La Sofia, em 21 de fevereiro de 1874, dia que ficou marcado simbolicamente como o início do processo de migração em massa de italianos para o Brasil.

Segundo o projeto de lei que instituiu a comemoração, de autoria do ex-senador capixaba Gerson Camata (1941-2018), o objetivo é "prestar a devida homenagem ao imigrante italiano, que, vindo de terras tão distantes, aqui se instalou e se fez gente nossa".

A chamada Expedição Tabacchi partiu do porto de Gênova e levou ao Espírito Santo italianos do Trentino, que, na época, pertencia ao Império Austro-Húngaro. Mas antes disso já havia relatos da presença de colonos em Santa Catarina, tanto que existe uma polêmica entre os dois estados sobre a origem do fenômeno migratório.

A controvérsia se dá porque, em 1836, estabeleceu-se na atual São João Batista (SC) uma colônia chamada Nova Itália, formada por cerca de 30 famílias provenientes da Ligúria, então pertencente ao Reino da Sardenha.

A Expedição Tabacchi, no entanto, deu início a um movimento constante e organizado de migração italiana para o Brasil. O navio La Sofia trouxe 386 pessoas, sendo que a maioria delas tinha passaporte austríaco, já que o Trentino só seria anexado pela Itália após a Primeira Guerra Mundial.

O organizador da expedição, Pietro Tabacchi, era um comerciante que havia falido nos anos 1850 e viajado ao Brasil para escapar dos credores. Segundo o historiador Renzo Maria Grosselli, especialista em movimentos migratórios italianos, Tabacchi tinha uma loja de secos e molhados em um povoado chamado Vera Cruz , mas também vendia madeira de jacarandá.

Em 1873, ele assinou um contrato com o governo central para levar ao Espírito Santo um grupo de camponeses italianos, que desembarcariam no Brasil em fevereiro de 1874, provavelmente no dia 21.

O empreendimento, no entanto, não prosperou, já que muitos italianos fugiram para colônias que pagavam mais do que Tabacchi. O comerciante ainda tentou entrar na Justiça, mas logo morreu de ataque cardíaco.

Muitos dos imigrantes iriam para Santa Teresa, reconhecida oficialmente em 2018, pelo então presidente Michel Temer, como "pioneira da imigração italiana no Brasil" - Santa Catarina também protesta contra essa decisão.

Com a Itália em crise em meados dos séculos 19 e 20, centenas de milhares de camponeses decidiram tentar a sorte nas lavouras do Sudeste e nas colônias do Sul. O resultado disso foi o maior movimento migratório internacional da história do Brasil, que hoje abriga milhões de ítalo-descendentes.

Entre 1887 e 1978, mais de 700 mil italianos passaram pela Hospedaria de Imigrantes do Brás, em São Paulo, que ficaria conhecida como "a maior cidade italiana fora da Itália".

Celebrações

Por meio de um comunicado, a Embaixada da Italia em Brasília lamenta não poder celebrar a data presencialmente no Congresso, como nos anos anteriores, mas diz se sentir "orgulhosa" com a homenagem.

"Os italianos primeiro e depois os ítalo-brasileiros - estes últimos hoje estimados em cerca de 32 milhões - deram uma contribuição fundamental para o desenvolvimento do Brasil, em todos os setores. Superada uma difícil fase inicial, representam agora uma comunidade fundamental na vida do Brasil - política, econômica, científico-cultural e social -, motivo de orgulho para dois países unidos por laços fraternos de amizade e intensa colaboração, em todos os campos", diz a nota.

A Embaixada da Itália em Brasília ainda "expressa seus melhores votos à comunidade italiana e ítalo-brasileira e a todos os amigos brasileiros, numa perspectiva de maior consolidação e ampliação das já profundas e sinceras relações bilaterais".

Já o Museu da Imigração, que fica na antiga Hospedaria do Brás, promove neste domingo, em seu canal no YouTube, uma jornada de debates sobre a cultura italiana.

O evento virtual terá as participações do cônsul-geral da Itália em São Paulo, Filippo La Rosa, do jornalista italiano radicado no Brasil Oliviero Pluviano, do professor Luciano Migliaccio, especialista em arte italiana, e do delegado da Accademia Italiana della Cucina, Gerardo Landulfo, entre outros.

Além disso, o chef italiano Antonio Maiolica ensinará uma receita de spaghetti alla putanesca. O evento acontece a partir das 11h, e a programação completa está disponível no site do Museu da Imigração. (ANSA)

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