Juncker propõe sistema fixo de distribuição de refugiados

A UE exigiu a recolocação de 160 mil estrangeiros pelo bloco

Juncker propõe sistema fixo de distribuição de refugiados (foto: ANSA)
11:54, 09 SetBRUXELAS ZBF

(ANSA) - O presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, fez um apelo nesta quarta-feira (9) para que os países do bloco recebam imigrantes e adotem um sistema permanente de distribuição de deslocados e refugiados, mas prometeu medidas mais severas nas fronteiras e a deportação de estrangeiros ilegais.

Em seu primeiro discurso de estado ao Parlamento Europeu, Juncker delineou um plano para distribuir cerca de 160 mil imigrantes pelos 28 países-membros do bloco e propôs um mecanismo permanente para solicitações de refúgio, a fim de evitar crises futuras.

Ele afirmou que a Europa não pode abandonar a Itália, a Grécia e a Hungria, que são as nações que mais têm sofrido com a chegada descontrolada de milhares de imigrantes diariamente, os quais fogem de conflitos no norte da África e no Oriente Médio, principalmente na Síria.

Juncker disse que os europeus precisam responder à situação emergencial com humanidade, dignidade e união. "Não é o momento para discursos, mas para sinceridade", ressaltou o presidente da Comissão. "Queremos mudar as coisas e adotarmos um esforço conjunto", disse.

De acordo com ele, "a história dos europeus é a história dos refugiados". "Não estamos falando de séculos, mas de poucos anos atrás", apelou Juncker, pontuando que "nenhum muro, nenhuma barreira interromperá esta massa de refugiados".

Ele também recomendou a criação de um fundo de emergência de 1,8 bilhão de euros provenientes de recursos comuns para os países de maior volatilidade  na África. "Com este instrumento, queremos dar mais estabilidade aos países africanos para que se desenvolvam e reduzam os deslocamentos forçados e migrações", explicou.

Anunciando que a a Comissão Europeia apresentará uma proposta legislativa para legalizar o fluxo migratório nos primeiros meses de 2016, Juncker afirmou que "é preciso aceitar a ideia de que a imigração não é só um problema, mas um recurso", e oferecer a oportunidade dos estrangeiros trabalharem enquanto suas solicitações de refúgio são analisadas.

Segundo ele, este mecanismo evitará crises de refugiados como a atual, que é considerada a maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Ele ainda elogiou o trabalho da italiana Federica Mogherini à frente da diplomacia europeia.Desde o ano passado, a comissária luta por uma política baseada em "responsabilidade compartilhada" no continente.

Durante seu discurso, Juncker foi interrompido pelo parlamentar britânico Nigel Farage, conhecido por suas posições contrárias ao projeto europeu e à imigração. O italiano Gianluca Buonanno, do partido Liga Norte, vestiu uma máscara da chanceler alemã, Angela Merkel, para dizer que a líder estaria ditando as políticas de refugiados para a Europa.

Nesta semana, Berlim anunciou que está disposta a receber imigrantes e que tem capacidade de conceder 500 mil refúgios por ano. A crise de imigrantes na Europa já vigora há anos. Os países que são porta de entrada para o continente, como Itália, Grécia e Hungria, recebem diariamente embarcações ou veículos com imigrantes que tentam chegar ao continente de maneira ilegal para solicitar residência permanente.

A maior parte dos viajantes é proveniente da Síria, que desde 2011 enfrenta uma guerra interna com o governo do ditador Bashar al-Assad e a atuação de milícias e organizações extremistas, como o Estado Islâmico (EI, ex-Isis).

Na próxima segunda-feira, haverá uma cúpula dos ministros do Interior da UE. (ANSA)

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