Parlamento autoriza envio de tropas russas à Síria para combater EI

Militares farão operações aéreas contra o grupo Estado Islâmico

Putin se reúne com Obama e com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry
Putin se reúne com Obama e com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry (foto: EPA)
13:24, 01 OutROMA ZBF

(ANSA) - O Parlamento da Rússia aprovou nesta quarta-feira (30) uma intervenção militar na Síria para combater o grupo extremista Estado Islâmico (EI, ex-Isis). O envio das tropas tinha sido pedido pelo presidente russo, Vladimir Putin.

 

De acordo com o jornal "Russia Today", Putin quis atender a uma demanda do ditador sírio, Bashar al-Assad. Mas o chefe de administração da Presidência de Moscou, Sergei Ivanov, ressaltou que as operações serão limitadas a bombardeios e movimentações aéreas.

 

Pilotos sírios já teriam começado a usar aviões russos para realizar incursões em áreas dominadas pelo EI. Os primeiros bombardeios foram lançados próximo à cidade de Homs As operações estariam sendo coordenadas pelo centro informativo de Bagdá, usado por Rússia, Síria, Iraque e Irã.

 

No entanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou não está atacando apenas o Estado Islâmico, mas também outros grupos "terroristas e extremistas".

 

ONU

 

A Rússia pretende apresentar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução para a formação de uma coalizão internacional que inclua a Síria e o Irã no combate ao grupo extremista Estado Islâmico (EI, ex-Isis), informaram à ANSA fontes diplomáticas.

 

O documento exige que a luta contra organizações terroristas envolva uma “coordenação” com os governos dos Estados atingidos. O esboço da resolução pode ser apresentado ao Conselho ainda hoje, já que a ordem do dia tem como tema “Resoluções dos Conflitos no Oriente Médio e Norte da África e Luta contra o Terrorismo”. EI.

 

“É sabido que nesta organização terrorista, chamada de Estado Islâmico e que nada tem a ver com o verdadeiro Islã, há milhares de pessoas provenientes de países europeus, da Rússia e de Estados da ex-URSS. Não precisa ser especialista para entender que, se eles tiverem sucesso na Síria, voltarão a seus países de origem e chegarão à Rússia”, comentou Putin.

 

Ele também destacou que a luta contra o terrorismo deve ocorrer dentro do direito internacional, ou com uma resolução da ONU ou ainda com um pedido de ajuda do governo legítimo.

 

A principal polêmica em relação aos bombardeios russos é a ligação com o governo sírio, acusado desde 2011 pela comunidade internacional de cometer crimes contra a humanidade por usar armas químicas na guerra civil que tenta derrubar Assad.

 

EUA

 

Durante um encontro nesta semana com o presidente norte-americano, Barack Obama, às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, Putin discutiu o avanço do EI e afirmou que há um interesse comum entre os EUA e a Rússia para combater o grupo na Síria.

 

"Eles estão de acordo com a necessidade de instituir um canal de comunicação para prevenir uma possível falta de ajustamento entre a coalizão internacional liderada pelos EUA e as ações da Rússia", informou a embaixada norte-americana em Moscou.

 

Em seu discurso na ONU, Putin solicitou a criação de uma ampla coalizão antiterrorista para lutar contra os jihadistas. "Seria parecida com a coalizão contra Hitler na Segunda Guerra Mundial", comentou o mandatário, em seu primeiro pronunciamento na Assembleia em 10 anos.

 

"Devemos reconhecer que ninguém, salvo as forças armadas de Assad, combatem o EI e outras organizações terroristas na Síria", pontuou Putin, ressaltando, como já fez em outras ocasiões, que somente uma incursão coordenada com o governo sírio é legítima na luta contra os extremistas.

 

Desde o ano passado, os Estados Unidos lideram uma coalizão internacional, apoiada por países europeus, para bombardear o Estado Islâmico, que tenta estabelecer um califado no norte da Síria e do Iraque. As ações, no entanto, não tinham a participação da Rússia, considerada uma inimiga ideológica de Washington.

 

O governo norte-americano avalia que os ataques aéreos russos na Síria “não têm o objetivo estratégico” contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI, ex-Isis). “Eles não estão ali para combater o EI”, afirmaram fontes da Casa Branca, citados pela mídia internacional.  Washington questiona se as ações têm interesse nos jihadistas ou é apenas uma estratégia velada contra opositores do regime do ditador Bashar al-Assad. (ANSA)

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