Rússia nega acusação de ter outros alvos na Síria

Operações militares de Moscou aumentaram tensão com Washington

Rússia nega acusação dos EUA de ter outros alvos na Síria
Rússia nega acusação dos EUA de ter outros alvos na Síria (foto: EPA)
14:47, 01 OutNOVA YORK ZBF

(ANSA) - No segundo dia de ataques russos na Síria, o ministro das Relações Exteriores de Moscou, Sergei Lavrov, negou que a incursão militar atingirá outros alvos além do grupo extremista Estado Islâmico (EI, ex-Isis), como tem sido denunciado pelos Estados Unidos. De acordo com Washington, a Rússia está usando a luta contra o terrorismo como pretexto para atingir os rebeldes apoiados pelo Ocidente e treinados pela CIA para combater contra o regime do ditador Bashar al-Assad nas províncias de Homs e Hama.

O secretário de Defesa norte-americano, Ashton Carter, acusou a Rússia de "jogar combustível no fogo" e classificou a intervenção militar como uma "agressão".

O líder da oposição síria, Khaled Khoja, afirmou que os ataques russos já mataram 36 civis em Homs, onde, segundo ele, não há jihadistas do EI. Já a ONG Observatório Nacional para os Direitos Humanos na Síria (Ondus) denunciou a morte de ao menos 27 civis, entre eles seis crianças da mesma família, também em Homs.

Nas últimas semanas, o presidente russo, Vladimir Putin, argumentou em seus discursos que era preciso criar uma aliança contra o Estado Islâmico com os governos da Síria e do Iraque, países onde os jihadistas declararam um califado.

A grande questão é que o ditador sírio, Bashar al-Assad, é visto com ressalvas pela comunidade internacional devido às acusações de crimes de guerra e uso de armas químicas. Desde 2011, quando eclodiu o conflito interno na Síria, os EUA e a Europa armam rebeldes para combater contra o regime.

Apenas dois dias após uma reunião cara a cara entre Putin e o presidente norte-americano, Barack Obama, às margens da Assembleia Geral da ONU, o Parlamento russo aprovou o envio de militares à Síria, argumentando que partira de Assad um apelo de ajuda contra o EI.

De acordo com Ministério da Defesa da Rússia, 12 objetivos foram destruídos ou danificados desde o início dos ataques aéreos, incluindo um centro de comando em Hama, um depósito de munições perto de Idlib e uma fábrica de explosivos ao norte de Homs.

O embaixador sírio na Rússia, Riad Haddad, afirmou que o terrorismo deve ser combatido com ações coordenadas com o governo de Damasco, como Moscou tem feito. "A coalizão criada por Washington atua há mais de um ano, mas, neste lapso de tempo, a força do EI só aumentou", comentou o diplomata, referindo-se à aliança internacional guiada pelos EUA desde 2014.

Por sua vez, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que é "imperativo encontrar uma solução para evitar uma escalada fora do controle de todos".

A representante de política externa da União Europeia (UE), a italiana Federica Mogherini, também defendeu a necessidade de ações planejadas. "Se o objetivo é atacar o EI, o certo é fazer isso de maneira conjunta ou, ao menos, coordenada".

Caças russos decolaram ontem de uma base na região costeira de Latakia pouco depois do Parlamento aprovar por unanimidade o envio de ajuda militar a Assad. A última vez que a Rússia enviou tropas ao exterior foi em antes da anexação da Crimeia.

De acordo com fontes norte-americanas, a Rússia informou a embaixada dos EUA em Bagdá sobre o início da incursão militar para evitar incidentes entre aviões russos e da coalizão internacional contra o EI, mas somente uma hora antes do início dos ataques.

Kerry e Lavrov discutiram hoje, por telefone, a situação na Síria e o impacto da iniciativa militar russa. Os EUA disseram explicitamente temer que o objetivo final da Rússia possa ser, na verdade, a proteção a Assad. (ANSA)

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