Suécia deve expulsar entre 60 mil e 80 mil pessoas

Segundo governo, 55% das solicitações foram aceitas até agora

Suécia pode expulsar até 80 mil solicitantes de asilo no país
Suécia pode expulsar até 80 mil solicitantes de asilo no país (foto: EPA)
10:20, 29 JanROMA ZGT

(ANSA) - O ministro sueco do Interior, Anders Ygeman, afirmou nesta quinta que a nação pretende expulsar entre 60 mil e 80 mil solicitantes de asilo cujo pedido foi negado. O número é quase a metade das solicitações recebidas pela Suécia em 2015.

 

Cerca de 163 mil imigrantes fizeram o pedido no ano passado, representando o número mais alto per capita da Europa. Dos casos avaliados até agora, 55% foram aceitos pelo governo. Para enviar as pessoas de volta para seus países de origem, serão usados voos fretados.

 

"Acredito que vamos ver mais aviões fretados, especialmente sob os cuidados da União Europeia. Temos um grande desafio pela frente. Teremos que ampliar os recursos utilizados para isso e devemos ter uma melhor cooperação entre as autoridades", destacou Ygeman.

 

Já a Grã-Bretanha, que tem uma linha mais dura na questão da concessão de asilos, informou que não acolherá mais crianças sírias ou de outras áreas de conflitos que não estejam acompanhadas. Porém, aqueles que já estiverem no país receberão o benefício.

 

O Ministério do Interior informou que já entrou em contato com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) para identificar "casos excepcionais" de crianças que estão precisando do asilo. Para se ter ideia, só no primeiro semestre do ano passado, mais de 100 mil menores de idade desacompanhados chegaram ao continente.

 

Desativação do Tratado de Schengen

 

Na noite de ontem (27), o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, anunciou um relatório após uma "longa discussão" sobre as fronteiras externas. Segundo ele, as fronteiras da Grécia - especialmente - apresentam "sérias carências".

 

Esse é o primeiro dos quatro procedimentos necessários para a ativação do artigo 26 do Tratado de Schengen. Nele, há a possibilidade da suspensão da livre circulação de pessoas pelos países-membros da zona Schengen (26 nações europeias) por até dois anos por causa de "circunstâncias excepcionais" que "constituem uma séria ameaça para a ordem pública ou a segurança interna".

 

Nos próximos dias, esse documento chegará ao Comitê de Avaliação de Schengen para uma aprovação definitiva. Sucessivamente, a Comissão Europeia irá propor um plano de ação com recomendações para resolver "a série de persistentes carências" no local.

 

Se ao fim de três meses, a Grécia não resolver as correções propostas, a Comissão poderá propor a ativação do artigo 26. A avaliação foi toda conduzida com base em diversas visitas inesperadas de especialistas enviados para o país e realizadas desde novembro.

 

De acordo com dados da OIM, mais de 820 mil imigrantes chegaram ao continente europeu através das rotas marítimas gregas. Desse número, 455 mil estavam fugindo da guerra civil na Síria e outros 186 mil do Afeganistão.

 

Renzi pede 'melhor controle' nas fronteiras

 

Em uma entrevista à "Faz", o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, defendeu que a Europa "controle melhor as suas fronteiras".

 

"Os refugiados que vem de países em guerra serão salvos, mas aqueles que vem de outros países devem ser mandados de volta", ressaltou. Ao ser questionado sobre o fato dos problemas de identificação, como os que ocorrem na Grécia, terem sido registrados na Itália, o premier ressaltou que esses problemas foram corrigidos e que agora "todos são 100% registrados".

 

Já na questão do abrigo aos que chegam ao continente, Renzi afirmou que o caso não pode ser resolvido sozinho por Alemanha e França. "Ficaria grato se Angela [Merkel] e François [Hollande] pudessem resolver todos os problemas, mas infelizmente não é assim que funciona", disse o premier. (ANSA)

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