Referendo contra imigrantes na Hungria não atinge quorum

Consulta precisava ter 50% de participação para ser válida

Apuração de referendo na Hungria
Apuração de referendo na Hungria (foto: EPA)
20:16, 02 OutBUDAPESTE ZLR

(ANSA) - O presidente do Escritório Eleitoral Nacional da Hungria (NVI), Patyi András, disse na televisão local que o referendo sobre as cotas migratórias estabelecidas pela União Europeia no ano passado não atingiu o quorum mínimo de 50% mais um.

 

Segundo dados oficiais, a afluência às urnas foi de apenas 43,42%. Com isso, o resultado da consulta popular, onde 98% dos votantes se expressaram contra a redistribuição de imigrantes dentro do bloco, não tem validade. A votação havia sido proposta pelo primeiro-ministro nacionalista e populista Viktor Orbán, que lidera a resistência na UE contra os refugiados.

 

O referendo fez a seguinte pergunta aos cidadãos: "Você quer que a União Europeia possa prescrever o estabelecimento obrigatório de cidadãos não-húngaros, mesmo sem o consentimento do Parlamento da Hungria?". Apesar da questão demonstrar um viés tendencioso, ela não foi suficiente para atrair a maioria dos eleitores, que preferiu usar a abstenção para dizer "sim".

 

Após ter feito diversos apelos para que a população fosse às urnas, Orbán mudou o tom neste domingo (2) e disse que o referendo terá "consequências", independentemente da participação popular. "Não importa se o referendo será válido ou não: haverá consequências jurídicas de qualquer maneira. O importante é que o 'não' seja maioria", declarou.

 

Com a derrota, seu governo avalia modificar a Constituição para vetar o acolhimento de cidadãos estrangeiros sem a aprovação do Parlamento. O sistema de redistribuição de imigrantes na União Europeia foi aprovado no segundo semestre de 2015, apesar da forte oposição de países do leste, liderados pela Hungria.

 

Criado para combater a mais grave crise migratória desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o plano prevê realocar 120 mil solicitantes de refúgio até 2017, mas até agora apenas 5,6 mil foram transferidos. (ANSA)

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