Em meio à crise com Grã-Bretanha, União Europeia completará 60 anos

No dia 25 de março, evento celebra data em Roma

União Europeia completará 60 anos no dia 25 de março
União Europeia completará 60 anos no dia 25 de março (foto: ANSA)
20:34, 20 MarBRUXELAS Por Marco Galdi

(ANSA) - Quando se completa 60 anos, há quem não demonstre a idade e quem, como a União Europeia, tem todas as suas rugas e marcas bem aparentes.

Há nove meses do referendo na Grã-Bretanha pela saída do bloco, o chamado "Brexit" do dia 23 de junho, é possível ver que a construção da Europa sempre maior, integrada e tendencialmente federalista chegou ao fim.

A eleição de Donald Trump, por exemplo, mostrou que nada é eterno - nem mesma a amizade incondicional dos Estados Unidos. O sultão turco Recep Tayyip Erdogan também anuncia uma "guerra de religiões na Europa" e entra em conflito com diversos países, entre eles, a Alemanha.

Em meio a isso, no próximo sábado (25), os 27 líderes europeus restantes - sem a presença dos britânicos - celebrarão os 60 anos do primeiro tratado europeu com uma declaração que reforçará a necessária confiança no projeto europeu, com a ameaça de uma irrelevância se os países ficarem sozinhos no contexto geopolítico futuro.

Mas, o documento também simbolizará o nascimento de uma UE diferente daquela que todos conhecem até agora.

Em uma Roma sob máxima medida de segurança, são esperados cerca de 40 líderes, entre chefes de Estado e de governo, que também terão uma audiência privada com o papa Francisco. E os compromissos seguem da "vigília" de sexta-feira (24) até o encontro extraordinário do dia seguinte. Além disso, todos os líderes europeus serão recebidos na sede da Presidência italiana, o Quirinale, pelo presidente Sergio Mattarella.

Todas as ocasiões servirão para um aprofundamento e uma reflexão para a retomada da União Europeia, na qual a questão das "diferentes velocidades" é crucial - e não apenas pelas palavras.

Agora, a UE enfrenta ao mesmo tempo quatro desafios gigantescos: a questão Estados Unidos-Rússia, que pede um redimensionamento na gestão internacional, a crise de imigrantes e refugiados do Oriente Médio e da África, o terrorismo e a Turquia, que aparenta estar passando do status de candidato ao bloco a seu adversário.

Ameaças que chegam em um ano de desafios eleitorais, com o populismo de extrema-direita, amigo de Trump e financiado pelo Kremlin. Mesmo com a Áustria, que escolheu o presidente dos verdes e europeísta, e a Holanda, que disse não ao islamofóbico Geert Wilders, houve o fortalecimento dos partidos anti-europeus.

O premier holandês, Mark Rutte, que venceu às eleições graças também ao ataque contra Erdogan, no qual conseguiu mostrar ser um estadista e destruir a retórica de Wilders, definiu as eleições holandesas como "as quartas de final do torneio europeísta contra o populismo".

Futebolisticamente falando, o cálculo não está certo. Era a semifinal, onde a final será disputada, em jogo de ida, na França, entre 23 de abril (primeiro turno) e 7 de maio (segundo turno) e o jogo de volta será disputado na Alemanha em setembro.

Mas, para sobreviver, a Europa precisa sempre vencer.

"A UE sem a França ou sem a Alemanha é impossível", disse ao jornal italiano "La Stampa" o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

Na "Declaração de Roma", que segunda-feira (27) terá a impressão dos 27 líderes europeus, foi limada a linguagem para ratificar a vontade mostrada em Versailles por França, Alemanha, Itália e Espanha - os quatro grandes do Ocidente - de andar adiante "com mais velocidade".

A linguagem do resumo foi atenuado para que seja "digerível" também para a Polônia, que foi o voto contrário no 27 a 1 na confirmação do nome de Donald Tusk como presidente do Conselho Europeu, e para a Romênia e Bulgária, que continuam a "fechar a porta" sobre o Tratado de Schengen. O temor é que isso leve o bloco para a série B.

O texto que será assinado no dia 25 deverá ser suficientemente vago para permitir que seja assinado pelos 27 líderes, em referência à "unidade" que, segundo Tusk, é a principal mensagem a ser dada neste momento. O verdadeiro futuro será desenhado em dezembro, quando todos os obstáculos eleitorais estarão ultrapassados.

Aquilo que é certo é que, por enquanto, os 27 estão de acordo sobre só um ponto: o projeto de relançar, integrar e desenvolver a indústria europeia da defesa.

"É o único que todos desejam e sobre algo que todos demonstraram apoio sem reservas", diz uma fonte militar europeia à ANSA.

Depois, há acordo suficiente sobre a política externa da imigração e sobre a defesa do livre comércio.

Contudo, há profundas divisões sobre a gestão interna da imigração, sobre a solidariedade que falta dos países da Europa oriental e sobre a revisão do princípio do Orçamento - que a Itália lidera para interligar os "beneficiários" do valor dado à obrigação da solidariedade. (ANSA)

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