Atentado terrorista mata mais de 10 e fere 50 em Barcelona

Atentado terrorista mata mais de 10 e fere 50 em Barcelona (foto: ANSA)
23:03, 17 AgoROMA ZBF

(ANSA) - O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do atentado que matou 13 pessoas e deixou mais de 100 feridos em Barcelona, na Espanha, nesta quinta-feira (17).

Após simpatizantes do grupo terem comemorado o ataque nas redes sociais, o EI usou sua agência oficial de propaganda, a "Amaq", para assumir a responsabilidade pela ação na capital da Catalunha.

A reivindicação foi reproduzida no Twitter pelo SITE Intelligence Group, portal que monitora a atividade de extremistas na internet. Segundo a reivindicação, os autores do atentado são "soldados do Estado Islâmico". Esse termo pode indicar que o ataque não foi planejado pela cúpula do EI, mas sim por simpatizantes da milícia jihadista na Europa.

Há cerca de duas semanas, apoiadores do Estado Islâmico lançaram apelos nas redes sociais pedindo atentados na Espanha. De acordo com Rita Katz, diretora do SITE, os jihadistas cobraram "ataques iminentes" e a "reconquista" de Al-Andalus, nome dado à Península Ibérica no século 8, início de um período de domínio muçulmano na região que duraria quase 800 anos.

O uso de veículos pesados - como vans e caminhões - tem sido o método preferido de simpatizantes do EI para cometer atentados na Europa, como nos ataques de Nice, em julho de 2016, em Berlim, em dezembro do mesmo ano, e em Londres, em março e junho de 2017. O ataque de Barcelona é o primeiro ato terrorista reivindicado pelo Estado Islâmico na Espanha.

Prisões

O atentado teria sido cometido por três homens, sendo que dois deles já foram presos: um indivíduo originário de Melilla, enclave espanhol no norte da África, e detido em Alcanar, a 200 quilômetros de Barcelona; e um marroquino capturado em Ripoll, pouco mais de 100 quilômetros ao norte da capital catalã.

Nenhum deles era o motorista da van que invadiu as Ramblas, que segue foragido, nem tinha antecedentes criminais ou ligações anteriores com o terrorismo. "Detivemos duas pessoas diretamente implicadas no atentado, mas nenhuma delas era o condutor do furgão", declarou Josep Lluís Trapero, major dos "Mossos d'Esquadra", nome da força policial catalã.

Ripoll fica a cerca de 40 quilômetros de Vic, município onde foi encontrada uma das vans supostamente envolvidas no atentado. O veículo teria sido usado para a fuga dos terroristas.

A Polícia achou dentro do furgão documentos de Driss Oukabir Soprano, que teve sua imagem divulgada pelas autoridades como um dos suspeitos. Contudo, poucas horas depois, um indivíduo com esse mesmo nome se apresentou a uma delegacia de Ripoll dizendo ser inocente.

O homem, que tem nacionalidade francesa, mas mora na cidade catalã, alega que seus documentos foram roubados Em seu perfil no Facebook, apagado pouco depois da divulgação da foto, não havia nenhuma referência ao jihadismo ou ao Estado Islâmico.

A Polícia da Catalunha tenta esclarecer por que o homem não denunciou o roubo antes e suspeita que o documento tenha sido pego por seu irmão, Moussa Oukabir, de 18 anos, que mora em Barcelona.

O major Trapero também disse que a morte de um suspeito em Sant Just Desvern, município vizinho a Barcelona, não está ligada ao ataque nas Ramblas. O homem furou um bloqueio policial e acabou abatido por um agente.

Os "Mossos d'Esquadra" também apuram uma suposta conexão entre o atropelamento e a explosão de uma casa em Alcanar que deixou uma pessoa morta e várias feridas. O local, que ficou totalmente destruído, tinha cerca de 20 cilindros de gás.

O atentado

O atentado ocorreu entre 17h e 18h (12h-13h no horário de Brasília), nas Ramblas, calcadão turístico situado no centro Barcelona e que liga a movimentada Plaza de Catalunya à área costeira da capital catalã.

Uma van branca percorreu cerca de 700 metros na Rambla de Canaletes, o primeiro dos três trechos das Ramblas, até se chocar contra um quiosque comercial. Fontes policiais dizem que o motorista dirigiu em zigue-zague para atingir o maior número possível de pedestres.

Essa área da cidade abriga inúmeros restaurantes, mercados, lojas e quiosques de lembrancinhas e costuma ser muito frequentada por turistas. Por isso, é provável que haja estrangeiros entre as vítimas. Segundo o governo da Catalunha, 13 pessoas morreram e mais de 100 foram internadas com ferimentos - ao menos 15 delas estão em estado grave.

Quando o furgão parou, o motorista abriu a porta e saiu correndo, sem dar nenhum grito. "Não há nenhuma prova de que a pessoa que saiu da van estava armada", disse Trapero, acrescentando que a vontade do terrorista era a de "matar o maior número possível de pessoas".

Inicialmente, a imprensa catalã divulgou que os terroristas haviam se entrincheirado em um bar nas Ramblas, mas a informação foi negada pela Polícia, que isolou a região, fechou estações de metrô que servem o calçadão e pediu para as pessoas evitarem o local.

Além disso, as autoridades recomendaram que as pessoas que estiverem bem avisem diretamente seus familiares para evitar um congestionamento nas linhas de emergência. 

Outros apelos foram feitos para que os internautas não compartilhem fotos e vídeos do atentado. Muitos espanhóis aderiram a uma campanha, lançada na época dos atentados da Bélgica, de postar imagens de gatos e pets, em vez de fotos das vítimas.

Em sinal de condolência pelo atentado, o governo catalão declarou três dias de luto na comunidade autônoma e suspendeu todas as atividades "lúdicas" preparadas para os próximos dias nas cidades da região.

Reações

O presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, que estava de férias na Galícia, viajou a Barcelona e fez um pronunciamento sobre o ataque.

Além de ter decretado três dias de luto nacional por conta do atentado e ordenado que as bandeiras sejam hasteadas a meio mastro em todos os edifícios públicos, o primeiro-ministro anunciou a convocação de um "pacto antiterrorista" para "afiançar a união do país" e continuar "trabalhando juntos no futuro".

"Essa é uma ameaça global, e a resposta tem que ser global", declarou Rajoy. O ataque aconteceu no momento em que a Catalunha tenta organizar um plebiscito para se separar da Espanha e trava uma batalha jurídica sobre essa questão com o governo nacional.

"Os terroristas são derrotados com unidade institucional, colaboração policial e acordos amplos, como acontece na Espanha, entre partidos políticos", disse o primeiro-ministro. "Estamos unidos na dor e na vontade firme de vencer aos que querem arrebatar nossos valores e nosso modo de vida", acrescentou.

Por meio do Twitter, a Casa Real, chefiada pelo rei Felipe VI, afirmou que "toda a Espanha é Barcelona" e que as Ramblas "voltarão a ser de todos". "São uns assassinos, simplesmente uns criminosos que não vão nos aterrorizar", diz a mensagem.

Novo ataque

A Polícia da Catalunha realizou na madrugada desta sexta-feira (15) - noite de quinta no Brasil - uma operação em Cambrils, cerca de 110 quilômetros a sudoeste de Barcelona, que terminou com quatro suspeitos mortos e um ferido.

Eles estavam em um veículo que rompera um bloqueio das forças de segurança. "Urgente. Devido a operação policial em Cambrils, evitem a rua, fechem-se em casa!", diz uma mensagem postada no Twitter pelo Sistema de Emergências da Catalunha.

O episódio é tratado pela Polícia como um "possível ataque terrorista". Além dos suspeitos, seis civis ficaram feridos, sendo que dois estão em estado grave. Um policial também se machucou, mas de forma leve.

"Trabalhamos com a hipótese de que os terroristas abatidos em Cambrils estão relacionados com os fatos registrados em Barcelona e Alcanar", disseram os "Mossos d'Esquadra", nome da força policial catalã, no Twitter.

A situação em Cambrils já está sob controle, mas a Polícia ainda recomenda "precaução" às pessoas. (ANSA)

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