Em meio à crise, líder de Myanmar faltará à assembleia da ONU

Segundo ONU, quase 380 mil pessoas fugiram para Bangladesh

Em meio à crise, líder de Myanmar faltará à assembleia da ONU (foto: EPA)
12:11, 13 SetRANGOON ZCC

(ANSA) - A líder de Myanmar, Aung Suu Kyi, alvo de críticas devido aos episódios de violência que resultaram no deslocamento de cerca de 380 mil muçulmanos rohingyas para Bangladesh, não participará da próxima Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) por causa da crise no país, anunciou nesta quarta-feira (13) um porta-voz de seu gabinete.
   

De acordo com o porta-voz do governo, Zaw Htay, a prêmio Nobel ainda se dirigirá nação na próxima semana em meio à crise que levou milhares de muçulmanos rohingyas a fugir. Ela "falará de reconciliação nacional e de paz", em um discurso televisionado no dia 19 de setembro.
   

Nesta quarta, o escritório da ONU em Bangladesh contabilizou em 379 mil o número de rohingyas chegados ao país após fugirem da onda de violência que acontece em Myanmar.
   

Segundo os dados, a maioria dos novos refugiados, cerca de 188 mil, foram instalados em assentamentos "espontâneos", detalhou o Grupo de Coordenação Instersetorial em um relatório publicado hoje. Por sua vez, outros 156 mil se alojaram em locais temporários e acampamentos já existentes.

Na última segunda-feira (11), a ONU denunciou que há uma "limpeza étnica" feita por militares do país contra a minoria muçulmana. A crise em Myanmar teve início em 25 de agosto, quando ocorreu um ataque de um grupo insurgente rohingya contra policiais e militares no estado de Rakhine, no noroeste do país.Na ocasião, mais de 70 pessoas foram mortas e como resposta o ato foi respondido com uma operação militar na região.
   

De acordo com declaração do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, há no país "um clássico exemplo de limpeza étnica". Ele ainda fez um apelo para que o governo ordene que o Exército "pare imediatamente as cruéis operações militares".

Aung Suu Kyi tem sido muito criticada por não proteger a minoria e não se manifestar firmemente sobre o tema. Até uma petição online está pedindo para que o Comitê do Nobel retire o prêmio dela. (ANSA)

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