Parlamento catalão aprova independência da Espanha

Resolução havia sido apresentada por partidos pró-separação

Parlamento da Catalunha aprovou a independência da Espanha (foto: ANSA/AP)
15:14, 27 OutCATALUNHA ZGT

(ANSA) - O Parlamento da Catalunha aprovou, em votação secreta, a resolução que declara a independência da região nesta sexta-feira (27). Foram 70 votos a favor, 10 contrários e dois em branco, em uma votação que contou com a abstenção dos membros das siglas contrárias ao processo de separação.

"Constituímos a República Catalã como Estado independente e soberano de direito democrático e social", dizia o texto apresentado pela manhã.

Milhares de pessoas comemoraram o resultado do lado de fora do Parlamento local, onde já foi possível ouvir o hino "Els Segadors".

Com isso, a Casa abriu o "processo constituinte" da República e decidiu que entrará em vigor a "lei de transição jurídica e de fundação da República".

O rompimento unilateral já era esperado após o presidente da região, Carles Puigdemont, desistir da ideia de convocar novas eleições para a Catalunha para tentar amenizar a crise com Madri.

Através do Twitter, o premier espanhol, Mariano Rajoy, pediu "tranquilidade" para os espanhóis e afirmou que "o Estado de Direito restaurará a legalidade na Catalunha".

A crise com os defensores da independência regional se agravou com a realização de um referendo separatista no dia 1º de outubro. De acordo com o governo catalão, mais de 90% dos votantes aprovou a separação.

No entanto, todas as instâncias judiciais de Madri consideraram a votação ilegal e informaram que o referendo não tem nenhum efeito. Desde então, a queda de braço entre os líderes de ambos os lados se intensificou com situações que foram desde trocas públicas de ameaças até a prisão de diversas pessoas que ajudaram a organizar o referendo.

Senado espanhol aprova intervenção

Após o Parlamento da Catalunha aprovar sua independência, o Senado espanhol votou a favor da aplicação inédita do artigo 155, que retira temporariamente a autonomia da região e destitui os atuais líderes.

Foram 214 votos a favor, 47 contrários e uma abstenção. Com isso, Madri designará comissários para atuar na Catalunha e convocar novas eleições - aumentando ainda mais a tensão com os catalães.

Para debater o tema, o governo espanhol convocou uma sessão extraordinária ainda para debater a crise e sobre como serão feitos os procedimentos para a intervenção na região. 

Ao sair do Senado, Rajoy definiu a proclamação de independência  como um "ato criminoso" e "contra a lei" e anunciou que o governo "tomará as medidas necessárias para restabelecer a legalidade".

O premier ainda afirmou à imprensa que o que aconteceu hoje "é a prova de que era necessário ativar o artigo 155", que retira temporariamente a autonomia local.

Bolsa de Valores

O principal índice da Bolsa de Valores de Madri, o Ibex 35, acelerou suas perdas após o anúncio de independência da Catalunha.

A queda acelerou para 1,7% minutos depois do anúncio, por volta das 15h30 (hora local). Antes disso, o índice tinha queda de cerca de 1%.

Vice-presidente regional diz que Catalunha 'está livre'

O vice-presidente da Catalunha, Oriol Junqueras, usou sua conta no Twitter para comemorar o resultado da votação no Parlamento.

"Sim. Nós ganhamos a liberdade de construir um novo país", escreveu Junqueras.

Já no Parlamento e na praça em frente à entidade, dezenas de deputados e prefeitos pró-separação gritavam "liberdade" após a votação. Eles ainda pediam a libertação dos "presos políticos" Jordi Sanchez e Jordi Cuixart, que foram detidos há duas semanas em Madri.

UE mantém posição e nega apoio à Catalunha

Após a votação que declarou a independência da Catalunha, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que a posição da União Europeia não muda com o resultado no Parlamento. "Não temos nada para acrescentar àquilo que já dissemos", disse o representante.

Nos últimos dias, o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, afirmou que era "contrário a todos os separatismos na Europa" e que "não ama aquilo que estão fazendo na Catalunha". Antes de Juncker, os comissários europeus mantiveram a postura de pedir respeito ao Estado de Direito e à Constituição da Espanha.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, usou as redes sociais para afirmar a "Espanha continua como nossa única interlocutora".

"Para a UE, nada muda. Espanha continua nossa única interlocutora. Eu espero que o governo espanhol favoreça a força do argumento, e não o argumento da força", escreveu no Twitter.

  (ANSA)

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