Liberais desistem de formar governo e abrem crise para Merkel

Alemanha poderá passar por novas eleições após fracasso

Liberais desistem de formar governo e abrem crise para Merkel (foto: EPA)
16:40, 20 NovBERLIM ZGT

(ANSA) - Um anúncio surpreendente do líder do Partido Liberal Democrático (FDP, na sigla em alemão), Christian Lindner, pôs fim às tratativas para formar um novo governo na Alemanha e abriu uma crise sem precedentes para a chanceler Angela Merkel.

"Falta confiança e é melhor não governar assim", disse Lindner nesta segunda-feira (20) aos jornalistas que acompanhavam as negociações em Berlim.

"Melhor não governar do que governar mal. [O processo] mostrou que os quatro interlocutores não tem um projeto em comum para a modernização do país e não há confiança em uma base comum com a qual se pode imaginar os pressupostos para um governo estável", acrescentou.

O anúncio pegou de surpresa tanto Merkel quanto os outros três participantes da chamada coalizão "Jamaica", por conta das cores dos partidos.

"Nós achávamos que se poderia encontrar o fio que nos levaria a uma solução. Me entristece, com todo o respeito para o FDP, que não tenha sido possível encontrar uma alternativa. A maioria da população teria ficado feliz se encontrássemos uma solução", disse Merkel em um pronunciamento.

Um dos negociadores dos Verdes, Jürgen Trittin, mostrou todo seu choque em uma entrevista à TV "Phoenix".

"Christian Lindner anunciou a falta de confiança entre os partidos. Nós não podemos fazer outra coisa além de ouvir isso. Os Verdes e também a CSU, todos nós, juntos, permanecemos juntos um pouco chocados e indignados", disse Trittin.

Ele ainda afirmou que o acordo, que deveria ter sido encerrado na sexta-feira (17) e que foi prorrogado até ontem (19), "estava próximo" de fechar um acordo entre todas as partes.

Agora, Merkel mantém seu cargo interinamente e irá fazer consultas com o presidente Frank Walter Steinmeier para tomar os próximos passos.

No dia 25 de setembro, os alemães votaram para renovar o Bundestag, o Parlamento alemão. Com isso, o União Democrata Cristã (CDU) de Merkel venceu o pleito, mas precisava fazer uma coalizão para governar o país.

No entanto, o parceiro dos últimos governos, o Partido Socialista, anunciou que estava fora das negociações por conta do péssimo resultado nas urnas. Com isso, Merkel precisou recorrer a mais partidos para conseguir uma maioria no Parlamento.

Agora, uma das possibilidades seria a convocação de novas eleições, o que causaria ainda mais tensão no país e, por consequência, na União Europeia.

Logo após, em entrevista à emissora ARD, Merkel disse que prefere novas eleições a ter que governar com minoria."Meu ponto de vista é de que novas eleições seriam um melhor caminho", afirmou. 

Além disso, a chanceler afirmou que não tem motivo para renunciar ao cargo após o fracasso das negociações para coalizão entre os conservadores de seu partido (CDU-CSU), os liberais (FDP) e os ambientalistas. Ela ainda disse que o seu bloco conservador entrará mais unificado na eleição.

Para a mandatária, a chamada "coalizão Jamaica" teria sido possível. "É obviamente lamentável que se tenha chegado a essa situação", disse Merkel, ressaltando que "ainda assim há estabilidade no país".

"Estou pronta para servir por mais quatro anos", disse ela, afirmando que o fracasso da coalizão não é motivo para ela voltar atrás em sua promessa de servir como chanceler.

"Não vou me tornar dependente do apoio da extrema-direita", acrescentou se referindo ao partido AFD. 

Steinmeier decidirá futuro

Durante a reunião que teve com membros de seu partido, o União Democrata Cristã, a chanceler Angela Merkel afirmou que será o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, quem definirá o futuro político do país.

Fontes que participaram da reunião informaram à imprensa local que o mandatário poderá estabelecer um percurso para a formação do governo, sem recorrer para novas eleições em 2018. Uma das possibilidades é que Steinmeier consiga convencer o líder do Partido Social-Democrata (SPD), Martin Schulz, de negociar uma nova participação no governo de Merkel.

No entanto, poucas horas depois da fala da chanceler, o SPD anunciou que permanecerá na oposição ao governo e que não tem interesse em negociar uma participação no governo de Angela Merkel com outros partidos, informam fontes da sigla. (ANSA)

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