Partido de Merkel convida sociais-democratas para negociar

União entre CDU e SPD é única chance de evitar novas eleições

Merkel e Schulz concorreram como adversários, mas podem formar governos juntos
Merkel e Schulz concorreram como adversários, mas podem formar governos juntos (foto: EPA)
18:26, 01 DezBERLIM ZLR

(ANSA) - A União Democrata-Cristã (CDU), legenda da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta sexta-feira (1º) que está pronta para negociar com o Partido Social-Democrata (SPD) a formação de uma grande coalizão.

A conservadora CDU e o progressista SPD, embora adversários, governaram o país nos últimos quatro anos, já que nenhum dos dois tinha maioria absoluta no Parlamento, mas os sociais-democratas mostram resistência em renovar a aliança.

"Estamos prontos a enfrentar seriamente as negociações com o SPD, sem pré-condições", declarou Klaus Schüler, expoente do partido de Merkel, nesta sexta. Por outro lado, o líder do SPD, Martin Schulz, disse que manterá a linha da "discrição" e que ainda há outras opções na mesa, como a formação de um governo de minoria ou a convocação de novas eleições.

Na última quinta (30), Merkel e Schulz haviam se reunido com o presidente da República, Frank-Walter Steinmeier, mas nenhum deles comentou sobre o teor da conversa. Nesta sexta, o tabloide "Bild" publicou que os três teriam chegado a um acordo para iniciar negociações, informação desmentida pelo líder social-democrata.

Merkel venceu as eleições de setembro passado, mas não conseguiu maioria absoluta no Parlamento, já que a CDU teve apenas 30% dos votos. Inicialmente, a chanceler tentou formar uma coalizão com o Partido Liberal-Democrático (FDP) e com os Verdes, mas as tratativas fracassaram, principalmente por divergências sobre políticas migratórias e ambientais.

Por conta disso, Merkel teve de recorrer aos sociais-democratas. CDU e SPD são os dois maiores partidos do país, porém os anos de "grande coalizão" derrubaram a popularidade da legenda progressista, cujo líder, Martin Schulz, foi escolhido justamente para fazer oposição aos conservadores e com a promessa de não se aliar novamente à chanceler.

No entanto, se as duas siglas não se acertarem, a Alemanha terá de voltar às urnas, criando um cenário de instabilidade no país. "Precisamos de outra Europa, e as iniciativas de Emmanuel Macron [presidente da França] não podem sempre receber um 'não' da Alemanha. A Alemanha deve ser novamente uma forte nação europeísta. Sem isso, não haverá apoio a um novo governo", afirmou Schulz, que presidiu o Parlamento Europeu de 2012 a 2017. (ANSA)

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