Decisão de Trump sobre Jerusalém causa tensão no Oriente Médio

Fontes informam que presidente pode mudar embaixada em Israel

Decisão de Trump sobre Embaixada em Jerusalém causa tensão no Oriente Médio (foto: EPA)
17:36, 04 DezNOVA YORK E SÃO PAULO ZGT

(ANSA) - Após os rumores de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciará nesta semana a mudança da Embaixada do país em Israel para Jerusalém, os governos do Oriente Médio fizeram uma série de alertas sobre os riscos da medida para o processo de paz na região.

O ministro jordaniano de Negócios Estrangeiros, Ayman Safadi, afirmou que a medida pode trazer "violência" para a região.

"Falei com o secretário de Estado dos EUA sobre as consequências perigosas de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. Tal decisão gerará fúria nos mundos árabe e muçulmano, vai alimentar tensões e por em risco os esforços de paz", disse Safadi sobre sua conversa com Rex Tillerson.

Durante o fim de semana, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, telefonou para vários líderes mundiais, incluindo os presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para alertar sobre os riscos da decisão norte-americana.

Segundo o líder da ANP, o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel pode destruir os recentes esforços da Casa Branca para toda a região. "Construir uma ameaça para o futuro do processo de paz é inaceitável", diz ainda o presidente palestino.

Abbas também conversou com o líder da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, que aumentou o coro do líder palestino. "Nós afirmamos com firmeza que essa é uma decisão sem justificativa, que não servirá à paz ou à estabilidade na região. Ela só vai alimentar o extremismo e a violência", disse Gheit ressaltando que a medida favoreceria apenas ao governo israelente, que "é hostil à paz".

Por sua vez, o governo norte-americano não se manifestou de forma oficial. Apenas o genro do presidente, Jared Kushner, que é conselheiro de Washington para o Oriente Médio, falou sobre o tema ao ser questionado pelos jornalistas.

"Ele está ainda avaliando os fatos. Quando ele tomar uma decisão, ele mesmo a tornará pública", disse Kushner.

A área de Jerusalém oriental é considerada pela comunidade internacional como uma "ocupação" do governo de Tel Aviv desde a anexação do território, em 1967.

Desde então, os norte-americanos mantinham uma posição considerada "neutra", que não criticava publicamente Israel, mas também não reconhecia a cidade como "capital indivisível" do país, deixando para que os dois discutissem a situação.

No entanto, durante sua campanha presidencial, Trump sempre se mostrou pró-Israel nessa questão e prometeu que transferiria a Embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, o que daria o reconhecimento para os israelenses.

No início do mandato, muito foi falado sobre o tema, mas Trump optou por deixar a sede diplomática em seu atual lugar e decidir sobre isso mais tarde.

Durante o fim de semana, no entanto, rumores apontam que o republicano irá anunciar a transferência até a próxima quinta-feira (7).

Se isso for concretizado, o grupo palestino Hamas já ameaçou fazer uma "nova intifada" contra os israelenses. A última vez que os extremistas realizaram a ação, em 2000, mais de três mil palestinos morreram - bem como mais de mil israelenses perderam a vida. (ANSA)

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