Série de protestos no Irã tem ao menos dois mortos

Governo ameaçou usar 'punho de ferro' contra atos 'ilegais'

Série de protestos no Irã tem ao menos dois mortos (foto: ANSA)
17:38, 31 DezROMA ZGT

(ANSA) - Ao menos duas pessoas morreram em confrontos com a polícia na cidade de Droroud, no Irã, no terceiro e maior dia de manifestações contra o governo, informa o governo. No entanto, a mídia local chega a falar em seis mortos durante os atos.

Esses são os maiores protestos no país desde 2009 e surgiram sem uma pauta específica na cidade de Mashhad, no noroeste do território. De lá, eles se espalharam por diversas cidades, incluindo a capital Teerã que, no entanto, também teve uma série de manifestações em defesa do governo de Hassan Rohani.

Assim como ocorre em muitos países, o Irã proíbe atos não autorizados pelos governos locais e, por conta disso, os manifestantes estão sendo ameaçados com o "punho de ferro" pela Guarda Revolucionária.

"Se as pessoas queriam ir para as ruas para protestar pela inflação, elas não deveriam ter usado aqueles slogans e queimado propriedades públicas e carros", disse o general Esmail Kowsari à agência de notícias local Isna.

A fala refere-se ao fato de que as primeiras manifestações criticavam a inflação e o aumento do desemprego, mas logo tornou-se um ato contra o governo em geral, com cartazes pedindo "a morte do aiatolá Ali Khamenei" e a saída do presidente, que foi recentemente reeleito.

Rohani diz que 'povo é livre'e critica Trump

O presidente do Irã, Hassan Rohani, se manifestou pela primeira vez sobre a série de protestos que se espalharam pelo país e disse que o "povo iraniano é livre para se manifestar".

"O povo iraniano não se preocupa só com a economia, mas também com a corrupção e a transparência do governo", disse Rohani. Ao fazer o pronunciamento, o líder criticou os comentários feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por membros do governo norte-americano, incitando os protestos.

Segundo o mandatário, as "suas declarações interferem nas atividades das autoridades do Irã" e ressaltou que, ao apoiar os manifestantes, ele se esqueceu que, recentemente, "chamou todos os iranianos de terroristas". (ANSA)

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