Rússia e EUA 'duelam' na ONU sobre protestos no Irã

Moscou acusou Washington de interferir em "assuntos internos"

Protesto anti-EUA em Teerã
Protesto anti-EUA em Teerã (foto: EPA)
21:05, 05 JanNOVA YORK ZLR

(ANSA) - Em reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos acusaram nesta sexta-feira (5) o Irã de "privar seu povo dos principais direitos humanos" e de financiar "ditadores e assassinos".

O encontro foi pedido por Washington, com clara discordância da Rússia e da China, por causa da série de manifestações que deixou mais de 20 mortos no país persa entre o fim de 2017 e o começo de 2018.

"Os direitos humanos não são um presente de um governo, mas sim direitos inalienáveis. Liberdade e dignidade humana não podem ser separados da paz e da segurança", atacou a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Hayley.

"O regime iraniano priva seu povo dos principais direitos humanos. Nós estamos com quem busca liberdade, prosperidade e dignidade", acrescentou, ressaltando que os manifestantes deram um claro recado para Teerã parar de apoiar o "terrorismo".

O Irã é peça-chave dos conflitos em curso no Oriente Médio, como na Síria e no Iêmen. No primeiro, apoia o regime de Bashar al Assad contra rebeldes; no segundo, está ao lado dos revoltosos iemenitas houthis. Em ambos os casos, exerce um papel de antagonismo em relação à Arábia Saudita, a outra potência da região.

Parceira do Irã no conflito sírio, a Rússia acusou os Estados Unidos de "abusarem da plataforma do Conselho de Segurança", exagerando na convocação de reuniões de emergência. "Lamentamos a perda de vidas humanas, mas deixemos que o Irã cuide dos próprios assuntos internos", disse o embaixador de Moscou na ONU, Vasily Nebenzya.

"Segundo sua lógica [dos EUA], devíamos ter tido reuniões após os episódios em Ferguson e do Occupy Wall Street", acrescentou, em referência a duas grandes ondas de manifestações que aconteceram nos Estados Unidos nos últimos anos.

Na prática, o Conselho de Segurança não tomou nenhuma medida concreta contra o Irã, e o encontro serviu mais para cada lado fazer valer seu ponto de vista. (ANSA)

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