Contra imigração, Trump chama países da Am. Central de 'buracos de merda'

Questionamento ocorreu em reunião; Casa Branca não negou informação

President Trump hosts a prison reform roundtable

President Trump hosts a prison reform roundtable
 (foto: EPA)
11:35, 12 JanNOVA YORK ZGT

(ANSA) - Em uma reunião com membros do Congresso sobre os debates para uma nova lei migratória, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou palavras de baixo calão para se referir aos imigrantes haitianos, salvadorenhos e africanos que chegam ao país.

"Por que todas essas pessoas desses buracos de merda vêm parar aqui?", teria dito aos democratas e republicanos durante uma reunião na última terça-feira (9), segundo informa a mídia norte-americana.

O comentário referia-se ao debate sobre a chegada massiva de estrangeiros do Haiti, de El Salvador e de nações africanas. Ele ainda afirmou que os EUA estariam melhores se atraíssem pessoas como os "noruegueses".

"Por que nós precisamos de mais haitianos? Mantenham eles longe", teria acrescentado ainda o presidente, deixando os congressistas sem palavras.

A Casa Branca não quis responder sobre o caso, deixando em aberto a possibilidade de Trump, realmente, ter se dirigido dessa maneira aos imigrantes. O governo limitou-se a dizer que o mandatário "sempre lutará pelo povo norte-americano" enquanto "alguns políticos de Washington lutam por países estrangeiros".

"Como outros países que tem uma imigração baseada no mérito, o presidente Trump está lutando por soluções permanentes para fazer nosso país mais forte, dando as boas vindas àqueles que podem contribuir para a nossa sociedade, crescer nossa economia e assimilá-la dentro de nossa grande nação", disse ainda um dos porta-vozes da Casa Branca, Raj Shah.

A declaração do presidente pode complicar ainda mais um acordo bipartidário no tema da imigração.

Após a reunião da terça, a mídia veiculou que Trump teria condicionado a liberação para a permanência dos chamados "dreamers" - os estrangeiros que chegaram aos EUA ainda crianças e jovens - à construção do muro na fronteira com o México.

Frear a imigração foi uma das chaves da campanha presidencial do republicano. No entanto, ao assumir o governo, ele enfrentou resistência tanto política como judicial para aplicar diversas medidas contra os deslocados internacionais.

Trump nega ter falado palavrão

Trump usou o Twitter nesta sexta-feira (12) para negar que tenha usado palavras de baixo calão contra os imigrantes.

"A linguagem usada por mim no encontro do Daca foi dura, mas não foi aquela linguagem que usei. O que foi realmente duro foi a proposta extravagante feita - um grande passo atrás para o Daca", escreveu em seu Twitter.

No entanto, a fala publicada por todos os grandes jornais norte-americanos teve grande repercussão.

O porta-voz das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, afirmou que as palavras eram "vergonhosas e chocantes" e que tais comentários poderiam causar xenofobia por parte da população norte-americana contra os imigrantes.

"Não se pode liquidar países inteiros como 'buracos de merda'. Isso pode danificar e destruir a vida de muitas pessoas [porque] legitima que elas sejam atingidas com base nos países de onde vem. Elas vão contra os valores universais que o mundo duramente perseguiu depois da Segunda Guerra Mundial e o Holocausto", acrescentou Colville.

Já a porta-voz da União Africana, Ebba Kalon, afirmou em entrevista à agência de notícias Associated Press que a fala de Trump a deixou "francamente assustada".

"Dada a realidade histórica de como muitos africanos chegaram nos Estados Unidos, como escravos, essa declaração vai contra qualquer comportamento e prática aceitáveis. E é particularmente surpreendente, já que os EUA são um exemplo global de como a migração fez nascer uma nação construída sobre fortes valores de diversidade e oportunidade", ressaltou Kalon. (ANSA)

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