EUA, França e Reino Unido bombardeiam Síria

Presidente Donald Trump durante anúncio na Casa Branca
Presidente Donald Trump durante anúncio na Casa Branca (foto: ANSA)
23:57, 13 AbrSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Em um dia de seguidas notícias negativas para sua imagem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (13) a realização de ataques aéreos contra alvos do regime de Bashar al Assad na Síria.

O bombardeio aconteceu durante o pronunciamento do republicano e foi realizado em parceria com as Forças Armadas da França e do Reino Unido, que ao longo da última semana se juntaram desde o primeiro momento às acusações contra Assad.  Navios e aviões foram usados pelos três países.

A operação é uma resposta ao ataque químico ocorrido no último sábado (7) em Duma, na região de Ghouta Oriental, e que é atribuído pelos rebeldes ao regime. O governo sírio e a Rússia, sua principal aliada, negam o uso de armas tóxicas.

Segundo Trump, o bombardeio mira as instalações de armas químicas de Assad. "Esse massacre marca uma significativa escalada no padrão de armas químicas usadas por esse terrível regime. Esse ataque maligno deixou mães e pais, bebês e crianças debatendo em dor e ofegando por ar. Essas não são ações de um homem, são crimes de um monstro", disse o presidente em pronunciamento na Casa Branca.

O republicano também criticou a Rússia e o Irã, fiadores de Assad no poder, e afirmou que as nações devem ser julgadas "pelos amigos que elas mantêm". Em seguida, Trump elogiou países "amigos", como os Emirados Árabes e a Arábia Saudita, que financia rebeldes na Síria, incluindo o grupo radical Jaysh al Islam, e patrocina a guerra no Iêmen.

"A Rússia precisa decidir se vai continuar por esse caminho escuro ou se se juntará às nações civilizadas como uma força de estabilidade e paz. Talvez um dia nós estaremos juntos com a Rússia e até com o Irã, ou talvez não", declarou.

Já a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse que o bombardeio não tem como objetivo uma "mudança de regime". Segundo ela, não se trata de uma "intervenção na guerra civil", mas sim de "ações miradas" contra o arsenal químico de Assad.

O ataque acontece após vários dias de ameaças de Trump, Macron e May, o que deu tempo para Damasco se preparar. Neste sábado (14), uma equipe da Organização para a Proibição de Armas Químicas deveria chegar à Síria para investigar a denúncia de uso de substâncias tóxicas em Duma.

Os alvos

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos informou que três alvos foram atingidos no bombardeio. Em pronunciamento à imprensa, o vice-marechal do ar Gavin Parker disse que os ataques miraram um centro de pesquisa científica em Damasco e dois depósitos de arsenal químico a oeste de Homs.

O objetivo era reduzir a capacidade do regime Assad de produzir armamentos tóxicos e biológicos. Segundo o secretário de Estado, James Mattis, trata-se de um "ataque único". O Pentágono diz também que a operação já foi concluída e que os alvos foram escolhidos de forma a minimizar o risco de vítimas civis.

"Neste momento, não temos mais ataques planejados", declarou Mattis. A TV estatal da Síria disse que os mísseis ocidentais lançados sobre Homs foram interceptados e não causaram danos. A emissora também confirmou o bombardeio contra um centro de pesquisas em Damasco e declarou que 13 projéteis foram bloqueados na capital.

Duma

O ataque em Duma deixou entre 70 e 100 mortos e foi denunciado pelos White Helmets (Capacetes Brancos), ONG de defesa civil que atua em áreas controladas pelos rebeldes. A cidade, situada às portas de Damasco, era um dos últimos focos de resistência em Ghouta Oriental.

A ação química ocorreu no momento em que Assad estava perto de retomar o controle total da região e após uma série de vitórias na guerra civil síria, inclusive contra o Estado Islâmico. Em 2013, a mesma região fora palco de um ataque com armas tóxicas, mas, naquele momento, o regime colecionava derrotas para a oposição.

Aquele ataque gerou comoção mundial e forçou Assad a entregar seu arsenal tóxico para a Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), vencedora do Nobel da Paz em 2013.

No entanto, em abril de 2017 o regime foi acusado novamente de usar armamentos químicos, desta vez na província de Idlib, o que fez os Estados Unidos bombardearem a base militar de Shayrat com 58 mísseis. A operação teve pouco impacto na guerra e não impediu as vitórias subsequentes de Assad.

Cenário interno

A sexta-feira foi recheada de notícias negativas para Trump, a começar pela revelação de trechos do livro do ex-diretor do FBI James Comey, demitido no ano passado. Na obra, Comey compara o republicano a um "mafioso" e o acusa de ser "movido pelo ego".

Embora não revele nenhuma conduta ilegal, o livro repercutiu na imprensa norte-americana, que tratou sobre esse assunto durante todo o dia. Além disso, Trump viu seu advogado pessoal, Michael Cohen, virar alvo de um inquérito do FBI, que apreendeu documentos em seu escritório em Manhattan.

Cohen admitiu ter dado US$ 130 mil a uma atriz pornô para silenciá-la sobre um caso extraconjugal com o magnata, no que pode ser entendido como contribuição ilegal de campanha. O pagamento ocorreu em 2016, às vésperas das eleições presidenciais. (ANSA)

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