Kim e Moon iniciam reunião histórica entre as Coreias

Kim e Moon iniciam reunião histórica entre as Coreias (foto: EPA)
22:51, 11 JunSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Durou cerca de duas horas a primeira reunião entre o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, no vilarejo fronteiriço de Panmunjom, situado na zona desmilitarizada entre os dois países.

A reunião ocorreu na manhã desta sexta-feira (27), pelo horário local, na "Casa da Paz", centro de conferências administrado por Seul - essa foi a primeira vez que um membro da dinastia Kim pisou em solo sul-coreano desde o cessar-fogo de 1953, que interrompeu a guerra na península.

Os dois líderes terão almoços separados, e Kim atravessará a fronteira para o Norte. Durante a tarde, ele voltará ao Sul para outros eventos, incluindo um passeio a pé, e uma segunda reunião com Moon. É esperado que eles assinem uma declaração conjunta antes do jantar oferecido pelo presidente.

O momento histórico começou a ganhar contornos de realidade às 9h30, quando Kim Jong-un apareceu do lado setentrional da fronteira acompanhado de seu séquito e se dirigiu para Moon, que o aguardava em solo sul-coreano.

Sorridentes, os dois deram um demorado aperto de mãos sobre a linha que separa seus países e trocaram algumas breves palavras. Em seguida, em um ato aparentemente fora do protocolo, Kim puxou Moon para o Norte, antes de os dois "entrarem", lado a lado, na Coreia do Sul.

Em meio a poses para fotos, cumprimentos e músicas, os líderes se dirigiram para a "Casa da Paz", onde Kim assinou um livro de visitantes. "Uma nova história começa agora, com um ponto de partida para uma nova era de paz", escreveu em sua mensagem.

Acompanhado por sua irmã, Kim Yo-jong, o norte-coreano ressaltou que não se pode "desperdiçar" tal oportunidade para alcançar "bons resultados". Moon, por sua vez, lembrou que o mundo está "de olho em Panmunjom", que se tornou "símbolo de paz, e não de divisão".

Pacificação

A cúpula das Coreias é o ponto mais alto até aqui da reaproximação iniciada nos primeiros dias de 2018, quando os países aproveitaram os Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang para deixar para trás um ano marcado por tensões.

Ao longo de 2017, Pyongyang avançou como nunca em seu programa militar e testou, com sucesso, mísseis intercontinentais capazes de atingir o território dos Estados Unidos, além de ter realizado a detonação nuclear mais potente de sua história, supostamente com uma bomba de hidrogênio.

Em resposta, o presidente Donald Trump patrocinou uma série de sanções econômicas das Nações Unidas contra a Coreia do Norte e protagonizou com Kim uma recorrente troca de ameaças de destruição mútua. Agora os dois se preparam para um encontro previsto para junho, que seria o primeiro da história entre um líder norte-coreano e um mandatário dos EUA.

Além disso, Kim anunciou recentemente a interrupção do programa nuclear e de desenvolvimento de mísseis de longo alcance de seu regime, mas ainda é incerto o que ele busca com a reaproximação ou até que ponto está comprometido com a desnuclearização total da península. A saída das tropas dos EUA do Sul, no entanto, deve ser uma de suas exigências para a paz.

Na Casa Branca, a versão é de que as sanções de Trump empurraram Pyongyang para o diálogo, porém o líder da Coreia do Norte usa seu poder de fogo como arma de persuasão, e sua mudança de postura pode indicar que o programa nuclear e balístico já atingiu um estágio suficiente para garantir a manutenção do regime.

O melhor resultado que se pode esperar neste momento é um aguardado tratado de paz que ponha fim definitivo à Guerra da Coreia, o que implicaria um reconhecimento mútuo entre Norte e Sul. (ANSA)

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