Mais de 50 palestinos morrem em protestos contra embaixada

Estados Unidos inauguraram sede diplomática em Israel

EUA inaugura embaixada em Jerusalém em meio a protestos. (foto: EPA)
21:26, 14 MaiTEL AVIV ZCC

(ANSA) - Em um dia marcado por intensos conflitos na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, que já deixaram 55 mortos e 2,4 mil feridos, os Estados Unidos inauguraram nesta segunda-feira (14) sua embaixada em Jerusalém.

A cerimônia foi iniciada com o hino nacional norte-americano e contou com a presença da filha do presidente Donald Trump, Ivanka, e seu marido, Jared Kushner, além do embaixador dos EUA no país, David Friedman, do subsecretário de Estado John Sullivan e do secretário do Tesouro David Mnuchin. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também acompanharam o evento.

"Este é um momento histórico. Presidente Trump, ao reconhecer o que pertence à história, você fez história", disse o premier. Netanyahu ainda afirmou que só se pode construir a paz com a verdade, e "a verdade é que Jerusalém é a capital do povo israelense".

Mesmo ausente, Trump enviou uma mensagem às cerca de 800 pessoas presentes na cerimônia, por meio de vídeo. "A capital de Israel é Jerusalém. Israel, como todo Estado soberano, tem o direito de determinar sua capital", disse.

"Nossa maior esperança é a paz. Os Estados Unidos continuam plenamente comprometidos a facilitar um acordo de paz duradouro", afirmou Trump. A inauguração cumpre uma das mais polêmicas promessas do presidente norte-americano, que gerou grande reprovação da comunidade internacional.

O embaixador Friedman ressaltou que a administração Trump cumpre uma promessa feita ao povo norte-americano e dá a "Israel o mesmo direito que a qualquer outro país: o direito de designar sua capital".

O dia da cerimônia de inauguração acontece na mesma data em que o Estado de Israel completa 70 anos. A nova embaixada está instalada no bairro de Arnona, em Jerusalém Ocidental, em um prédio construído em 2010, dentro da seção de vistos do consulado-geral dos EUA.

Conflitos em Gaza

A decisão do magnata tem gerado diversos conflitos na Faixa de Gaza, mas ele não fez nenhuma referência aos atos. Nesta manhã, pelo menos 55 manifestantes palestinos foram mortos durante confrontos com o Exército israelense ao longo da barreira em Gaza, informou a agência "Maan", citando o Ministério da Saúde local.

Outras 2,4 mil pessoas ficaram feridas. As autoridades mobilizaram os cidadãos para doarem sangue em prol das vítimas. Os conflitos também ocorreram na Cisjordânia, principalmente em Belém e Hebron.

O Exército fortaleceu sua presença ao longo da fronteira com mais dois batalhões. Além disso, afirmou ter frustrado um ataque terrorista em Rafah, no sul da Faixa de Gaza. "Um comando de três terroristas armados estava tentando detonar uma bomba. Nossas forças reagiram, e os três morreram", disse um porta-voz.

De acordo com a imprensa local, os militares utilizaram um tanque de guerra para combater o grupo. O porta-voz do Exército ainda disse que aviões israelenses também atingiram um alvo do Hamas em Jabalya, no norte de Gaza, após um tiroteio.

Desde 30 de março, milhares protestam na fronteira, na chamada Grande Marcha do Retorno, que evoca o direito dos palestinos de retornarem para locais de onde foram retirados após 1948.

Repercussão

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que o Reino Unido está preocupado com os relatos de violência e morte na Faixa de Gaza e pediu "calma e contenção".

Já o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, pediu que todas as autoridades de Israel exercitem a "moderação". Além disso, afirmou que a decisão dos EUA de mudar sua embaixada para Israel desrespeitou a lei internacional e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

"A França apela para que todos os atores mostrem responsabilidade para evitar uma nova escalada [de violência]", disse. A União Europeia, por sua vez, pediu "máxima moderação" das autoridades depois dos conflitos.

Em Viena, o secretário-geral da ONU, António Guterres, revelou estar "especialmente preocupado" pela situação. "Assistimos a uma multiplicação dos conflitos, os velhos conflitos parecem não morrer jamais", disse. 

Já a Turquia convocou os seus embaixadores nos Estados Unidos e em Israel para consultas, e o presidente Recep Tayyip Erdogan chamou o país judeu de "terrorista". Para ele, o que está ocorrendo em Gaza é um "genocídio".

Greve Geral

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, também se manifestou e declarou um dia de greve geral pelos 55 mortos nos confrontos na Faixa de Gaza.

Ele ainda pediu três dias de luto em território palestino, em memória das vítimas, de acordo com a agência "Wafa". "O que vimos em Jerusalém hoje não foi a abertura de uma sede diplomática, mas a inauguração de uma 'instalação de guarda norte-americana avançada'", declarou o líder. (ANSA)

 

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