Palestinos fazem 'Marcha do Retorno' após massacre em Gaza

Pelo menos 60 pessoas morreram e 2,4 mil ficaram feridas ontem

Palestinos fazem 'Marcha do Retorno' após massacre em Gaza (foto: EPA)
21:22, 15 MaiROMA ZCC

(ANSA) - Depois de um banho de sangue na Faixa de Gaza, no qual 60 pessoas morreram, milhares de palestinos se reúnem nesta terça-feira (15) para recordar o que chamam de "Nakba" - um deslocamento em massa de palestinos após a criação de Israel, em 1948.

O 70º aniversário da data coincide com os funerais das vítimas mortas na última segunda (15) durante conflitos entre palestinos e o Exército de Israel.

Os confrontos marcaram o dia mais letal na região desde a guerra de 2014. Entre as 60 vítimas que morreram por tiros de militares israelenses, pelo menos oito eram menores de idade e 24 "eram terroristas” que estavam prontos para “realizar atos de terror”, sendo a maioria deles do grupo Hamas, informaram o Ministério de Segurança Interna e o Exército de Israel.

De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, até um recém-nascido morreu, após inalar gás lacrimogêneo durante a ofensiva. Cerca de 2,4 mil palestinos ficaram feridos.

Nesta terça, ao menos duas pessoas já morreram e outras 250 ficaram feridas. Uma das vítimas foi identificada como Nasser Aourab, de 51 anos. 

Alguns grupos palestinos indicaram que desejam conter os protestos, mas o temor é que nesta terça haja um novo "massacre". Também ocorrem manifestações na Cisjordânia.

A escalada de violência desta segunda aconteceu no mesmo dia em que os Estados Unidos inauguraram sua embaixada na cidade de Jerusalém, que também é reivindicada como capital do futuro Estado palestino.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, declarou um dia de greve geral pelos mortos no confrontos. Além disso, ele pediu três dias de luto em território palestino, fechando todas as lojas, escolas e estabelecimentos da região.

Embaixadores convocados

Nesta terça, o Ministério das Relações Exteriores da Turquia convocou o embaixador israelense em Ancara, Eitan Naeh, e pediu para ele deixar o país “por causa dos mortos” nos confrontos em Gaza, informou o jornal de Israel “Haaretz”.

Em resposta, o país judeu expulsou o cônsul-geral turco em Jerusalém. O governo da Bélgica também convocou a embaixadora israelense no país, Simona Frankel, depois que a diplomata afirmou que 55 vítimas dos confrontos na Faixa de Gaza eram terroristas.

“Muitas coisas podem ser ouvidas, mas há limites”, disse o ministro belga das Relações Exteriores, Didier Reynders.

 ONU critica Israel por violência excessiva 

O coordenador especial da ONU para a Paz no Oriente Médio, Nikolay Mladenov, denunciou que Israel usa a violência de maneira “indiscriminada” contra palestinos na Faixa de Gaza. 

“Israel precisa calibrar o uso da força, deve proteger suas fronteiras, mas de modo proporcional. Enquanto que o Hamas não deve usar os protestos para colocar bombas e fazer atos provocativos”, explicou.

“A comunidade internacional deve intervir e impedir a guerra”, acrescentou Mladenov, definindo a situação como “desesperadora”.

Mais cedo, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, também denunciou que “parece que qualquer um pode ser morto a tiros”. No entanto, o direito internacional prevê que a “força letal só pode ser usada como medida de último, não de primeiro, recurso”.

Para Colville, “não é aceitável dizer que se trata do Hamas e portanto está correto”. Ontem (14), 60 palestinos foram mortos nos conflitos em Gaza, sendo que pelo menos 24 faziam parte do movimento islamita que controla a região.

Já o Alto Comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, declarou que os “responsáveis por violações dos direitos humanos” precisarão “prestar contas”.

Por sua vez, o governo palestino pediu ao Conselho de Direitos Humanos da ONU (UNHRC) para “organizar uma reunião urgente para decidir sobre o envio de uma missão internacional para investigar os crimes cometidos pelas forças de ocupação militar contra pessoas desarmadas”.

O governo de Rami Hamdallah disse acreditar que Israel e o governo dos Estados Unidos são responsáveis pelo “massacre que ocorreu contra o povo palestino”. (ANSA)

 

 

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