Áustria fecha 7 mesquitas e expulsa imãs ligados a Turquia

Líderes religiosos são acusados de receber pagamento do exterior

Áustria fecha 7 mesquitas e expulsa imãs ligados a Turquia (foto: Ansa)
11:24, 10 JunBOLZANO ZBF

(ANSA) - O governo da Áustria anunciou hoje (8) o fechamento de sete mesquitas e a expulsão de imãs muçulmanos. O ministro do Interior austríaco, Herbert Kickl, e o chanceler conservador Sebastian Kurz alegaram que os líderes religiosos são acusados de receberem financiamento ilícito do exterior.

Os imãs são membros da Associação Turco-Islâmica (ATIB), que promove a colaboração cultural e social na Áustria e gere dezenas de mesquitas. A entidade conta com pelo menos cem mil membros, é muito próxima do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Serão fechadas quatro mesquitas em Viena, duas em Alta Áustria e uma em Carintia. A ordem vem de um decreto do Departamento de Religiões do governo e não pode ser apelada.

"Na Áustria, não há espaço para sociedades paralelas e radicalizações", disse Kurz. Ele também anunciou que o governo dissolveu um grupo chamado Comunidade Religiosa Árabe, que administra seis mesquitas.

As ações do governo foram baseadas numa lei de 2015 que, entre outras coisas, proíbe que comunidades religiosas obtenham financiamento do exterior.

Kickl, por sua vez, informou que os vistos de residência de dezenas de imãs empregados pela ATIB serão revisados. Segundo ele, até 60 imãs ligados à Turquia poderão ser expulsos com suas famílias, totalizando 150 pessoas.

O novo governo italiano, formando pelo nacionalista Liga Norte e pelo antissistema Movimento 5 Estrelas(M5S), elogiou a decisão.

"Acredito na liberdade de culto, não no extremismo religioso. Quem sua a própria fé para colocar em risco a segurança de um país deve ser expulso", escreveu no Twitter o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini. "Espero me encontrar na próxima semana com o ministro austríaco para discutirmos as linhas de ação", completou.

A Turquia, por sua vez, criticou a Áustria e a chamou de "anti-islâmica e racista". "[A expulsão dos imãs] é fruto de uma onda anti-islâmica, racista, discriminatória e populista", afirmou o porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin. De acordo com ele, o governo de Viena quer "obter vantagens políticas atingindo as comunidades muçulmanas".

"As escolhas ideológicas do governo austríaco violam os princípios da legalidade internacional, as políticas de integração social, os direitos das minorias e a ética da coexistência", acrescentou. (ANSA)

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