Trump e Kim apertam as mãos e iniciam cúpula inédita

É a 1ª vez na história que líderes dos dois países se encontram

Trump e Kim apertam as mãos e iniciam cúpula inédita (foto: EPA)
12:39, 12 JunSINGAPURA ZLR

(ANSA) - Um aperto de mãos marcou o início da inédita reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. É a primeira vez na história que líderes dos dois países se encontram pessoalmente.

Trump e Kim ficaram frente a frente pouco depois das 9h desta terça-feira (12), pelo horário local (22h de segunda em Brasília), após terem passado 2017 inteiro trocando ofensas e ameaças de destruição mútua.

Os dois líderes deram um aperto de mãos e posaram para fotos em frente a bandeiras dos EUA e da Coreia do Norte no Capella Hotel, na ilha de Sentosa. Em seguida, Kim e Trump se encaminharam para a sala onde ficaram reunidos por cerca de 40 minutos, acompanhados apenas por tradutores.

"Acho que vamos ter uma grande relação", arriscou o norte-americano, antes de dispensar os fotógrafos. "Estamos aqui depois de todos os obstáculos", reforçou o norte-coreano.

Antes do início da segunda fase do encontro, já na companhia de assessores, Trump disse que a primeira reunião foi "muito, muito boa". Além disso, acrescentou que ele e Kim têm uma excelente relação" e que os dois resolverão “um grande problema, um grande dilema”. A segunda durou mais de duas horas.

Na sequência, as comitivas tiveram um almoço de trabalho. O presidente é acompanhado pelo seu secretário de Estado, Mike Pompeo, e pelo conselheiro para Segurança Nacional, John Bolton, expoente da "linha dura" dos republicanos.

Em seu meio de comunicação oficial, o Twitter, o presidente já havia mostrado otimismo quanto à possibilidade de um acordo com Pyongyang. "Os encontros entre representantes estão indo muito bem", disse.

O cardápio servido no almoço, divulgado pela Casa Branca, combina sabores asiáticos com ocidentais. Como entrada, os líderes tiveram camarões com salada de abacate, kerabu de manga verde com mel de lima, polvo fresco e pepino recheado. Em seguida, o menu incluiu dois pratos de carne e um de peixe.

Eles puderam escolher entre costeletas de boi com batatas gratinadas e brócolis ao vapor, ao molho de vinho tinto; carne de porco crocante com molho agridoce e arroz frito com molho picante; e bacalhau na brasa com soja e verduras asiáticas.

Como sobremesa, as opções são tortinha de ganache de chocolate amargo, sorvete de baunilha com calda de cereja e torta tropézienne.

Tensões

Ao longo de 2017, a Coreia do Norte avançou como nunca em seu programa militar e testou, com sucesso, mísseis intercontinentais capazes de atingir o território dos Estados Unidos, além de ter realizado a detonação nuclear mais potente de sua história, supostamente com uma bomba de hidrogênio.

Em resposta, Trump patrocinou uma série de sanções econômicas das Nações Unidas contra a Coreia do Norte, que podem ter abalado ainda mais uma economia já fragilizada. Além disso, se envolveu em uma batalha retórica com Kim, chamando o norte-coreano de "pequeno homem foguete" e ameaçando atacar o país asiático com "fogo e fúria nunca antes vistos".

Por sua vez, o líder da Coreia do Norte prometera bombardear Guam, território ultramarino dos EUA no Oceano Pacífico, levantando ventos de guerra na região. Recorrentes exercícios militares e o envio de submarinos nucleares dos Estados Unidos também aumentaram os temores sobre um conflito iminente.

O clima de tensão na Península Coreana só arrefeceu no início de 2018, quando Kim desejou boa sorte para o Sul na realização dos Jogos de Inverno de PyeongChang. A declaração abriu as portas para a reaproximação entre Seul e Pyongyang, que culminou na participação de atletas do Norte nas Olimpíadas.

Kim anunciou recentemente a interrupção do programa nuclear e de desenvolvimento de mísseis de longo alcance de seu regime, mas ainda é incerto o que ele busca com a reaproximação ou até que ponto está comprometido com a desnuclearização total da península. A saída das tropas dos EUA do Sul, no entanto, deve ser uma de suas exigências para a paz.

Na Casa Branca, a versão é de que as sanções de Trump empurraram Pyongyang para o diálogo, porém o líder da Coreia do Norte usa seu poder de fogo como arma de persuasão, e sua mudança de postura pode indicar que o programa nuclear e balístico já atingiu um estágio suficiente para garantir a manutenção do regime. (ANSA)

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