Congresso aprova exumação de Franco na Espanha

Restos mortais do ditador serão tirados de memorial

Restos mortais do ditador serão tirados de memorial da Guerra Civil.
Restos mortais do ditador serão tirados de memorial da Guerra Civil. (foto: ANSA)
13:21, 13 SetMADRI ZFD

(ANSA) - A Câmara do Deputados espanhola aprovou nesta quinta-feira (13) a exumação dos restos mortais do ditador espanhol Francisco Franco do Vale dos Caídos, no arredores de Madri.

O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez propôs em 24 de agosto que a pauta fosse votada em "caráter urgente'. Todos os partidos votaram a favor, exceto os conservadores do Partido Popular (PP) e do "Cidadãos", que se abstiveram. O placar foi de de 172 votos a favor, 164 abstenções e dois votos contra.

"Justiça. Memória. Dignidade. Hoje a Espanha dá um passo histórico para a repatriação dos direitos das vítimas do franquismo. Hoje nossa democracia ficou melhor", escreveu Sánchez, pelo Twitter.

Durante o debate no congresso, a vice-presidente da Casa, a socialista Carmen Calvo, defendeu que não haverá "paz sem justiça" enquanto se mantenha a "atroz anomalia" que é o fato de Franco estar enterrado junto com suas vítimas.

O ditador, morto em 1975, está enterrado na Basílica do Vale dos Caídos, em um memorial contruído para abrigar os restos mortais de vítimas dos dois lados da Guerra Civil espanhola (1936-1939). Pelo menos 33.847 pessoas estão enterradas no local, das quais ao menos 12 mil não foram identificadas.

O governo pretende exumar Franco antes do final do ano e decidirá por si o novo local de enterro caso a família do ex-governante, que se opõe à exumação, não o faça. Segundo Calvo, o PP e o Cidadãos disseram que se abstiveram por causa do "caráter urgente" com que foi aprovado o decreto-lei.

"Agora dizem que é urgente a necessidade de exumar Franco, 43 anos depois. Tenham um pouco de respeito", disse o deputado do PP, Jorge Fernández Díaz. Segundo José Manuel Villegas, do "Cidadãos", Sánchez utiliza a exumação de Franco como "cortina de fumaça" para ocultar sua "incapacidade e a debilidade de seu governo". (ANSA)

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