Governo espanhol pedirá ao Vaticano exumação de Franco

Abadia do Vale dos Caídos se recusa a autorizar retirada

Franco governou a Espanha entre 1938 e 1975.
Franco governou a Espanha entre 1938 e 1975. (foto: ANSA)
16:58, 04 JanMADRID ZFD

(ANSA) - O governo espanhol vai recorrer aos superiores do abade do Vale dos Caídos, Santiago Cantera, que responde em última instância ao Vaticano, para conseguir a autorização para exumar o corpo do ex-ditador espanhol Francisco Franco. No local, também estão enterradas vítimas da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), o que é motivo de protestos de familiares dos mortos, que culpam o ex-general por múltiplos assassinatos. As informações são do jornal espanhol "El País".

No último dia 11, a ministra da Justiça espanhola, Dolores Delgado, enviou à abadia um pedido formal de retirada dos restos mortais do mausoléu. Em resposta, Cantera enviou uma carta no último dia 26 em que negou acesso ao local, alegando que a família não autoriza o procedimento e que a questão ainda está sendo julgada.

O governo, então, pediu o afastamento do abade, afirmando que, antes de se tornar monge beneditino, Cantera havia sido candidato nas eleições de 1993 pela Falange Espanhola, partido de ideologia fascista. Madrid ainda diz que o religioso atua contra as determinações de autoridades eclesiásticas como o Arcebispado de Madri e a Conferência Episcopal do país.

Diante da negativa do responsável pela abadia, o governo decidiu recorrer aos superiores do abade, porque "somente eles que têm autoridade para resolver o tema", segundo a ministra da Fazenda, Maria Jesús Montero. De acordo com as regras da Igreja Católica somente o abade de Solesmes, Philippe Dupont, e o papa Francisco estão acima de Cantera na hierarquia religiosa.

Oficialmente, o Vaticano e o arcebispado dizem não se oporem à exumação, mas pedem um acordo entre o governo e a família. O Arcebispado disse no começo do mês que acatará qualquer que seja a decisão judicial sobre o caso.

O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez aprovou em agosto a exumação e deu à família a possibilidade de escolher um lugar para que ficassem os restos. Os netos dele determinaram a Catedral de La Almudena, em Madri, onde a família tem uma cripta, mas o governo negou o pedido, alertando para as dificuldades em manter a ordem pública no local e o risco de terrorismo.

No último dia 17 de dezembro, a Justiça espanhola autorizou a exumação, mas o impasse com a igreja fez com que os planos de Pedro Sánchez de realizar o procedimento até o fim de 2018 fracassassem. (ANSA)

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