UE cobra desembarque imediato de migrantes bloqueados

Grupo aguarda autorização para descer desde dezembro

Navio da ONG Sea Watch está bloqueado no mar desde 22 de dezembro
Navio da ONG Sea Watch está bloqueado no mar desde 22 de dezembro (foto: EPA)
15:25, 08 JanBRUXELAS ZLR

(ANSA) - A Comissão Europeia cobrou nesta terça-feira (8) o desembarque imediato dos 49 migrantes a bordo dos navios das ONGs alemãs Sea Watch e Sea Eye, que estão há vários dias em águas territoriais de Malta, mas sem permissão para atracar.

Segundo o porta-voz do poder Executivo da União Europeia, "prosseguem contatos intensos com os Estados-membros", e houve "discussões construtivas" em uma reunião com embaixadores na última segunda (7). Ainda assim, o impasse permanece.

"Os Estados devem agora mostrar solidariedade concreta, e as pessoas a bordo devem ser desembarcadas em segurança e sem mais atrasos", declarou a Comissão Europeia. Fontes que acompanham as tratativas disseram que ao menos 10 países se ofereceram para acolher os 49 migrantes, desde que o desembarque seja em Malta.

A lista incluiria Alemanha, França, Holanda, Itália, Luxemburgo, Portugal e Romênia, mas a relação oficial não foi divulgada. O governo maltês, por sua vez, exige que as negociações envolvam outros 249 migrantes resgatados pela sua Guarda Costeira nos últimos dias.

O navio da Sea Watch carrega 32 migrantes salvos no último dia 22 de dezembro, enquanto a embarcação da Sea Eye resgatou 17 pessoas em 29 do mesmo mês. Pelas normas internacionais, pessoas tiradas do mar devem ser levadas para o porto seguro mais próximo, tarefa que recairia sobre Itália ou Malta, já que as entidades julgam que a Líbia, onde foram feitas as operações de socorro, não oferece condições mínimas de segurança.

Em entrevista à ANSA, um dirigente da Sea Eye, Gorden Isler, afirmou que as negociações são "indignas". "Passa a impressão que há uma mesa de pôquer sobre o destino das pessoas", declarou.

Números

Atualmente, o Estado-membro da UE que mais acolhe refugiados e solicitantes de refúgio em relação a sua população é a Suécia, com 292.608 (2,92% de seu total de habitantes). Em seguida aparecem Malta, com 9.378 (2,03%); Áustria, com 171.567 (1,95%); Chipre, com 15.063 (1,69%); e Alemanha, com 1.399.669 (1,69%).

A Itália é o 11º, com 353.983 (0,58%), atrás de Grécia, com 83.220 (0,77%); Dinamarca, com 39.937 (0,69%); Holanda, com 109.678 (0,64%), Luxemburgo, com 3.541 (0,59%); e França, com 400.304 (0,59%).

Já os que menos acolhem são Portugal, com 1.668 (0,01%); Eslováquia, com 949 (0,01%); Croácia, com 919 (0,02%); Romênia, com 5.464 (0,02%); e Estônia, com 455 (0,03%). Os dados são do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e do Banco Mundial. (ANSA)

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