Número de mortos em série de ataques no Sri Lanka vai a 290

Até o momento, nenhum grupo terrorista reivindicou os atentados

Número de mortos em série de ataques no Sri Lanka vai a 290 (foto: EPA)
19:11, 22 AbrROMA ZCC

(ANSA) - Subiu para 290 o número de mortos na série de atentados contra três igrejas, três hotéis e um conjunto habitacional no Sri Lanka, no domingo de Páscoa (21). Cerca de 500 pessoas ficaram feridas, incluindo o jornalista italiano Raimondo Bultrini, do jornal La Repubblica, informou a polícia local nesta segunda-feira (22).

Até o momento, nenhum grupo terrorista reivindicou a autoria dos atentados, mas o governo culpa o National Thowheeth Jama'ath (NTJ), uma milícia conhecida apenas por alguns poucos atos de vandalismo contra estátuas budistas. As autoridades acreditam que o NTJ contou com auxílio estrangeiro.

Ao todo, 24 pessoas foram presas durante as investigações, mas nenhum detalhe sobre os suspeitos foi revelado. Nesta manhã, a polícia encontrou 87 detonadores de bombas na principal estação rodoviária da maior cidade do país, Colombo.

Uma nova explosão foi registrada em uma van estacionada perto de uma das igrejas que já havia sido alvo de ataque. A polícia estava tentando desativar a bomba, mas o artefato acabou explodindo.

Segundo o ministro da Saúde Rajitha Senaratne, sete das oito explosões nos atentados foram cometidas por terroristas suicidas originários do próprio país.

As autoridades ainda informaram que a maioria das vítimas eram cidadãos do Sri Lanka, mas há pelo menos 32 estrangeiros entre os mortos, incluindo pessoas de Estados Unidos, China, Reino Unido, Índia, Portugal e Dinamarca.

De acordo com o jornal "The Guardian", um dos homens mais ricos da Dinamarca, Anders Holch Povlsen, perdeu três de seus quatro filhos na série de ataques.

Povlsen é um dos maiores acionistas do site Asos e dono da marca de roupas Bestseller. Ele tem uma fortuna avaliada em mais de 5 bilhões de euros. Seus filhos passavam o feriado em um dos hotéis atingidos pelos terroristas.

O presidente Maithripala Sirisena, que estava no exterior quando os ataques ocorreram, retornou na manhã desta segunda-feira a Colombo, após ter declarado emergência nacional.

Ele também conferiu poderes de polícia ao Exército, que terá amplas prerrogativas para prender suspeitos, assim como já ocorrera durante a guerra civil no país (1983-2009).

O primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe disse temer que os ataques joguem a ilha em uma nova fase de instabilidade e que é preciso "dar às forças de defesa todos os poderes necessários" para identificar e capturar os terroristas.

Ataques

As primeiras explosões ocorreram às 8h45 locais (23h30 de sábado, em Brasília), em três hotéis de luxo e em uma igreja de Colombo. Em seguida, ocorreram explosões em igrejas das cidades de Katana e Batticaloa. O sétimo atentado ocorreu no começo da tarde, em uma pousada no centro de Colombo. O oitavo foi contra um condomínio residencial, também na maior cidade do país.

Na ocasião, as autoridades do Sri Lanka recomendaram que as pessoas ficassem dentro de casa. O governo também impôs toque de recolher das 18h às 6h (horário local), além de anunciar que bloquearia temporariamente o uso das principais redes sociais no país.

Papa Francisco

O papa Francisco voltou a lamentar nesta segunda-feira a série de atentados no Sri Lanka e pediu solidariedade aos cidadãos locais.

“Expresso novamente minha proximidade ao povo do Sri Lanka. Estou muito próximo ao meu querido irmão, o cardeal Malcolm Ranjith Patabendige Don, e a toda a Igreja Arquidiocesana de Colombo”, disse o Pontífice, após a oração do Regina Coeli, na praça São Pedro.

Durante a cerimônia, Francisco convidou todos os fiéis a rezarem pelo país. “Rezo pelas numerosas vítimas e feridos e peço a todos para que não hesitem em oferecer a esta querida nação toda a ajuda necessária. Espero também que todos condenem estes atos terroristas, atos desumanos, nunca justificáveis.” (ANSA)

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