Estado Islâmico reivindica autoria de ataques no Sri Lanka

Número de mortos nos atentados do último domingo subiu para 321

Supostos autores dos atentados no Sri Lanka (foto: Reprodução/Twitter)
13:29, 23 AbrROMA ZCC

(ANSA) - O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria dos ataques realizados no Sri Lanka, no último domingo (21) de Páscoa, os quais deixaram pelo menos 321 mortos e 500 feridos.

A informação foi divulgada pelos jihadistas em sua agência de propaganda, a "Amaq", informou o portal de contraterrorismo "Site" nesta terça-feira (23). "Os executores do ataque que teve como alvo os cidadãos dos países da coalizão e cristãos são combatentes do Estado Islâmico", diz a Amaq.

A agência também divulgou uma foto que mostra oito homens supostamente responsáveis pelos atentados. A imagem retrata um indivíduo de rosto descoberto e outros sete com lenços sobre suas faces.

Eles estão à frente de uma bandeira do grupo. Curiosamente, o texto de reivindicação do ataque mencionava apenas sete terroristas. O Estado Islâmico também citou os nomes de batalha dos jihadistas e indicou onde cada um deles teria agido.

"Os detalhes dados pelo EI mostram que o grupo teve participação no ataque - o grau disso ainda precisa ser definido. A demora na reivindicação também é uma variável sem resposta", disse no Twitter a especialista em contraterrorismo Rita Katz, do portal Site, que monitora extremistas na web.

Mais cedo, o governo do Sri Lanka havia afirmado que a série de ataques foi uma "retaliação" pelo atentado contra duas mesquitas na Nova Zelândia. "As investigações preliminares revelaram que o que ocorreu no Sri Lanka foi uma retaliação ao ataque contra muçulmanos em Christchurch", disse o vice-ministro da Defesa Ruwan Wijewardene.

Segundo ele, os primeiros elementos da investigação apontam que o grupo local National Thowfeek Jamaath (NTJ) teria ligações com a organização Jamaat-ul-Mujahideen India (JMI). Até o momento, a polícia local prendeu pelo menos 40 suspeitos.

O presidente Maithripala Sirisena declarou luto nacional nesta terça e ainda concedeu poderes de polícia ao Exército, que terá amplas prerrogativas para prender suspeitos, assim como já ocorrera durante a guerra civil no país (1983-2009).

No último domingo (21), a principal cidade do país, Colombo, foi alvo de cinco explosões, sendo quatro em hotéis de luxo e outra em uma igreja. Duas outras igrejas também foram alvos de ataques, uma em Negombo, ao norte de Colombo, e outra no leste do país. A oitava e última explosão ocorreu em um complexo hoteleiro próximo a Dermatagoda.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 45 das 321 vítimas eram menores de idade. Além disso, um número similar de crianças sofreu ferimentos graves. A informação foi confirmada em Genebra pelo porta-voz da organização, Christophe Boulierac.

No total, 27 crianças que faleceram estavam assistindo à missa na igreja Katuwapitya, em Negombo, enquanto outras 10 ficaram feridas em Colombo. Já na igreja da cidade de Batticaloa morreram 13 crianças. "Condenamos esta violência nos termos mais duros possíveis. Nenhuma criança deve experimentar uma situação tão dolorosa", declarou Boulierac.

Nesta manhã, o Sri Lanka realizou seu primeiro funeral coletivo, enterrando cerca de 30 vítimas. A cerimônia ocorreu na igreja de São Sebastião, em Negombo. (ANSA)

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