México diz que tiroteio foi terrorismo e cobra ação dos EUA

Massacre no Texas deixou 20 mortos, sendo 7 mexicanos

México diz que tiroteio foi terrorismo e cobra ação dos EUA (foto: EPA)
19:23, 05 AgoWASHINGTON ZBF

(ANSA) - O México ameaçou nesta segunda-feira (5) adotar ações legais contra os Estados Unidos devido ao massacre de El Paso. O tiroteio ocorrido no último sábado (3), no Texas, deixou sete mexicanos mortos e nove feridos, em um crime que as autoridades investigam motivações supremacistas e racistas.

O chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, definiu a tragédia como "um ataque terrorista contra mexicanos inocentes". "O presidente [Andrés Manuel López Obrador] pediu que eu assegurasse que a indignação do México se traduzirá em eficazes, rápidas e enérgicas ações miradas a restabelecer uma adequada proteção dos cidadãos mexicanos nos Estados Unidos", disse o ministro.

Segundo Ebrard, o México pode apresentar uma denúncia de terrorismo pelo episódio nos Estados Unidos, solicitando também a extradição do autor do massacre, Patrick Crusius, de 21 anos. "Trata-se de uma iniciativa sem precedentes", comentou o ministro, em entrevista à TV Milenio. "Será uma avaliação que ficará a cargo da Procuradoria Geral da República solicitar - se houver os elementos necessários - a extradição do autor ou dos autores deste fato".
   

"Consideramos o que aconteceu um ato de terrorismo contra a comunidade mexicana-americana e contra os cidadãos do México nos Estados Unidos. O México está indignado, mas não iremos contrapor o ódio com o ódio. Agiremos utilizando o raciocínio, respeitando as leis", completou. Na tarde de sábado, Patrick Crusius abriu fogo contra dezenas de pessoas em um centro comercial de El Paso, no Texas.

Com 20 mortos e 26 feridos, trata-se de um dos episódios mais sangrentos da história dos Estados Unidos. O caso reabriu a discussão sobre a posse de arma e sobre o racismo contra imigrantes, sobretudo os mexicanos, ventilado por políticas imigratórias e declarações do presidente norte-americano, Donald Trump.

A polícia e o FBI investigam se um manifesto anônimo de ódio contra imigrantes, compartilhado em um fórum na internet, teria sido escrito pelo autor do massacre, que está preso. Além do ataque no Texas, um outro tiroteio ocorreu nos Estados Unidos no fim de semana, em Ohio, com nove mortos. 

 

Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou o ódio e a supremacia branca em um discurso público nesta segunda-feira (5) após os tiroteios que deixaram 31 mortos no Texas e em Ohio. 

Em pronunciamento na Casa Branca, o republicano pediu para os americanos condenarem o "racismo, o fanatismo e a supremacia branca”, porque “são ideologias sinistras que precisam ser derrotadas”. “O ódio não tem espaço na América”, disse.

Trump também pediu para que os parlamentares dos Estados Unidos aprovem leis que exijam que haja uma checagem de antecedentes para a compra de armas, além de ressaltar que é necessário uma investigação nos “cantos escuros” da internet.

“A Internet oferece um caminho perigoso para mentes radicalizadas e perturbadas. Redes sociais oferecem perigos que não podem ser ignorados", explicou.

Além disso, Trump afirmou ter pedido ao Departamento de Justiça para criar um projeto de lei para que todos os autores de massacres sejam condenados à pena de morte.

Ele também atacou a mídia, dizendo que "notícias falsas contribuíram muito para alimentar a raiva nos últimos anos". “As Fake News contribuíram em muito para a raiva e a fúria acumuladas ao longo de muitos anos. A cobertura das notícias tem que ser justa, equilibrada e imparcial, ou esses problemas terríveis só vão piorar!", declarou.

Mais cedo, em uma publicação no Twitter, o líder norte-americano disse que os republicanos e democratas deveriam se unir e preparar um plano para fortalecer os controles sobre quem compra armas, ligando essa questão à reforma da política de imigração. (ANSA)

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