Livre circulação terminará com Brexit sem acordo, diz governo britânico

Decisão, no entanto, foi alvo de críticas pela oposição

Livre circulação terminará com Brexit sem acordo, diz governo britânico
Livre circulação terminará com Brexit sem acordo, diz governo britânico (foto: ANSA)
19:07, 19 AgoLONDRES ZCC

(ANSA) - O governo do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou nesta segunda-feira (19) que irá encerrar "imediatamente" a livre circulação de pessoas da União Europeia (UE), em caso de um Brexit sem acordo no próximo dia 31 de outubro.

A informação foi revelada pela ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel, que disse ter a intenção de implementar a medida como "legislação secundária".

A medida vai contra a proposta da ex-primeira-ministra Theresa May, substituída no último dia 24 de julho, que considerava um período de transição, alargando a liberdade de circulação até 2021, e permitia viagens a trabalho ou para estudar de cidadãos europeus para o Reino Unido, mesmo em caso de saída sem acordo.

Um porta-voz de Downing Street salientou que "a livre circulação que existe atualmente vai terminar em 31 de outubro, quando o Reino Unido sair da UE. Por exemplo, vamos introduzir imediatamente regras mais rigorosas em matérias criminais para as pessoas que entram no Reino Unido".

Segundo a fonte, o governo conservador planeja introduzir um sistema de pontos, semelhante ao utilizado na Austrália para controlar a imigração.

De acordo com o jornal "Telegraph", funcionários britânicos também foram até Cingapura para "entender como funciona um sistema eficiente de computação aplicado à imigração".

Conforme dados do governo britânico, até o final de julho, mais de um milhão de europeus já tinham obtido o estatuto de "residentes permanentes", para continuarem vivendo no país depois do 'Brexit'.

A decisão, no entanto, foi alvo de críticas por parte dos liberais democráticos, que descreveram a ideia como "completamente distante da realidade".

Além disso, a "the3million", associação de defesa dos interesses de cidadãos europeus no país, ficou ofendida com a medida. Em uma publicação nas redes sociais, a entidade disse que a medida é "irresponsável" porque "abre a porta para a discriminação generalizada".

"Não existe um sistema pronto. É uma medida política, mas terá um forte impacto na vida das pessoas. Isso abrirá as portas à discriminação: que distinção farão entre os que já estão aqui e os que chegam depois?", ressalta o texto.

Boris Johnson, por sua vez, afirmou que o Reino Unido "não se tornará hostil à imigração" e acrescentou que será "controlada democraticamente". (ANSA)

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