Netanyahu promete anexar colônias e parte da Cisjordânia

Premier tenta garantir votos às vésperas de eleições

Benjamin Netanyahu mostra mapa da área que pretende anexar na Cisjordânia
Benjamin Netanyahu mostra mapa da área que pretende anexar na Cisjordânia (foto: EPA)
18:23, 10 SetTEL AVIV ZLR

(ANSA) - A uma semana das eleições legislativas em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu nesta terça-feira (10) anexar o Vale do Rio Jordão, que ocupa mais de 25% da Cisjordânia, e todas as colônias judaicas no território.

Disputando voto a voto com a coalizão centrista Azul e Branco, o premier resolveu endurecer o discurso e aumentar a aposta para consolidar o apoio do eleitorado de extrema direita. A tática já havia sido adotada por Netanyahu antes das eleições de 9 de abril, quando ele prometera estender a soberania israelense para partes da Cisjordânia.

"Se eu for eleito, me comprometo a estender a soberania israelense ao Vale do Jordão e à margem norte do Mar Morto. É nossa fronteira oriental, nosso muro de defesa. Deem-me o mandato. Nunca um primeiro-ministro de Israel propôs fazer isso", disse.

Em seguida, o primeiro-ministro prometeu anexar "todos os assentamentos judaicos" na Cisjordânia. Segundo Netanyahu, essa extensão acontecerá "em coordenação com os Estados Unidos", após o presidente Donald Trump "apresentar seu plano de paz".

O projeto americano, de acordo com o premier, deve ser divulgado alguns dias após as eleições israelenses, marcadas para 17 de setembro. "É uma grande oportunidade, uma ocasião histórica e única para estender a soberania israelense às colônias judaicas em Judeia e Samaria [Cisjordânia]", declarou.

Acusado de corrupção, fraude e abuso de poder, Netanyahu venceu as eleições de abril, mas fracassou nas negociações com o partido ultranacionalista Yisrael Beiteinu, de Avigdor Lieberman, para formar maioria no Parlamento.

Com isso, o país terá de voltar às urnas para uma nova eleição na semana que vem. Praticamente todas as pesquisas mostram um empate técnico entre o Likud, partido de Netanyahu, e a coalizão Azul e Branco, de Benny Gantz, mas indicam que a maioria dos assentos no Parlamento ficará com legendas de direita, extrema direita e ultraortodoxos.

Reações

A promessa de anexar parte da Cisjordânia provocou reações no mundo árabe, a começar pela Palestina, cujo primeiro-ministro, Mohammad Shtayyeh, acusou Netanyahu de ser um "destruidor do processo de paz".

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, disse que o discurso do premier israelense envia "mensagens ilegais e agressivas" e propõe criar um "Estado racista de apartheid".

Já o chanceler da Jordânia, Ayman Safadi, declarou que a medida "atiraria toda a região na violência". Uma eventual anexação do Vale do Jordão enterraria as possibilidades de retomar negociações de paz com os palestinos, que veem esse território como vital para o sucesso de um futuro Estado. (ANSA)

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