Relatório oficial prevê cenário caótico após Brexit

Documento cita até hipótese de conflitos nas ruas britânicas

Protesto de europeístas em Londres, capital do Reino Unido
Protesto de europeístas em Londres, capital do Reino Unido (foto: EPA)
16:49, 12 SetLONDRES ZLR

(ANSA) - Um relatório até então mantido em segredo pelo governo do Reino Unido revela um possível cenário caótico no caso de uma saída da União Europeia sem acordo.

O chamado "Relatório Yellowhammer" já tivera alguns trechos vazados pela imprensa nas últimas semanas, mas foi liberado na íntegra apenas nesta quinta-feira (12), com base em uma moção da Câmara dos Comuns que obrigava sua publicação.

Entre outras coisas, o documento diz que um eventual Brexit sem acordo pode provocar escassez de alimentos, bloqueios na importação de medicamentos por um período de até seis meses, aumento de preços penalizando sobretudo pessoas de baixa renda, filas de caminhões no Canal da Mancha, protestos de rua e conflitos entre militantes eurocéticos e europeístas.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, chamou o quadro de "alarmante" e acusou o primeiro-ministro Boris Johnson, que tenta levar o Reino Unido a um Brexit sem acordo, de expor os desfavorecidos aos riscos de um rompimento abrupto.

Já o secretário da Defesa britânico, Ben Wallace, afirmou que a hipótese desenhada pelo relatório não é uma previsão realista, mas sim um cenário "extremo". Michael Gove, responsável pelos preparativos para o Brexit, acrescentou que o documento é do início de agosto e que o governo vem tomando medidas para "mitigar" os riscos.

A oposição, no entanto, cobra a reabertura do Parlamento, que está em recesso forçado até 14 de outubro, a pedido de Johnson, que quis inviabilizar a aprovação de leis contra o Brexit. A Suprema Corte julgará um recurso contra a suspensão do Legislativo na próxima terça-feira (17).

A Câmara dos Comuns chegou a aprovar uma lei que obriga Johnson a pedir o adiamento da saída da União Europeia, marcada para 31 de outubro, mas o primeiro-ministro já disse que não pretende solicitar uma mudança de data a Bruxelas. (ANSA)

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