Trump proíbe embaixador de depor em inquérito de impeachment

Gordon Sondland é peça-chave em investigação contra o presidente

Donald Trump é alvo de processo de impeachment na Câmara
Donald Trump é alvo de processo de impeachment na Câmara (foto: EPA)
12:02, 08 OutWASHINGTON ZLR

(ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou que o embaixador americano na União Europeia, Gordon Sondland, não se apresente na Câmara dos Representantes para prestar depoimento no inquérito de impeachment contra o mandatário republicano.

Sondland é peça-chave no caso que ameaça o mandato de Trump e teria participado da pressão para a Ucrânia investigar Joe Biden, ex-vice-presidente dos EUA e favorito a disputar a Casa Branca em 2020 pelo Partido Democrata.

Em mensagens divulgadas pela Comissão de Inteligência da Câmara, o diplomata aparece conversando com o então enviado especial americano à Ucrânia, Kurt Volker, e o embaixador interino no país, Bill Taylor, sobre a estratégia para pressionar o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a investigar Biden.

Além disso, Sondland e Volker teriam redigido uma declaração que seria lida por Zelensky e na qual ele se comprometia a investigar casos relativos à empresa de energia Burisma, que tinha o filho do pré-candidato democrata, Hunter Biden, como conselheiro. O plano foi abortado após a revelação de que os EUA haviam congelado uma ajuda militar à Ucrânia.

O depoimento do embaixador estava marcado para esta terça (8), mas Trump decidiu vetá-lo de última hora, ainda que isso dê argumentos para os democratas o acusarem de obstrução de Justiça. "Eu adoraria enviar o embaixador Sondland, um bom homem e um grande americano, para testemunhar, mas, infelizmente, ele falaria perante uma corte totalmente comprometida, onde os direitos dos republicanos foram tirados", disse o presidente no Twitter.

Já o advogado de Sondland, Robert Luskin, citado pelo jornal The New York Times, alegou que seu cliente "não tinha escolha que não fosse seguir as orientações do governo". "Sondland está profundamente desapontado por não poder depor hoje", salientou.

O processo de impeachment tramita na Câmara, dominada pela oposição democrata, e se baseia em um telefonema no qual Trump pede para Zelensky investigar Biden e seu filho. A suspeita é de que o presidente tenha usado o poder do cargo para fazer um país estrangeiro prejudicar um adversário político interno.

Trump também pediu para a China investigar uma suspeita de que Hunter teria feito negócios no país asiático durante uma viagem oficial de Biden, mas Pequim rechaçou a ideia. "A China sempre seguiu a linha de não-interferência em assuntos internos de outros países", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang. (ANSA)

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