Ofensiva da Turquia contra curdos na Síria deixa 11 mortos

O ataque foi criticado por vários países, incluindo EUA e Itália

Ofensiva da Turquia contra curdos na Síria deixa 11 mortos (foto: ANSA)
20:23, 09 OutWASHINGTON ZCC

(ANSA) - Pelo menos 11 pessoas, sendo oito civis e três combatentes, morreram nesta quarta-feira (9) durante ataques turcos após o presidente Recep Tayyip Erdogan iniciar uma invasão ao nordeste da Síria para combater forças curdas, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

Segundo dados da ONG, duas vítimas teriam sido atingidas por disparos de artilharia contra a cidade de Qamishli. A ofensiva começou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a retirada das tropas americanas da região.

A coalizão curda Forças Democráticas da Síria (SDF), principal aliada dos EUA na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico no país árabe, relatou que há dezenas de civis feridos, além de haver um "pânico generalizado".

Horas depois, a Turquia iniciou ataque por terra na fronteira com a Síria. O presidente Erdogan afirmou que a operação tem o objetivo de criar uma “zona segura” limpa de milícias curdas, que também abrigará refugiados sírios. 

“Nossas heroicas Forças Armadas Turcas e o exército Nacional da Síria iniciaram a operação terrestre ao leste do Eufrates”, escreveu no Twitter o Ministério da Defesa turco.

De acordo com a emissora “CNNTurk”, a ofensiva terrestre será realizada a partir de quatro pontos dos municípios de Tel Abiad, como em Ras al Ain.

Hoje cedo, Trump chegou a falar que o ataque era uma "má ideia" e que não conta com o apoio dos Estados Unidos. Além disso, o republicano pediu para Ancara proteger as minorias religiosas.

"Os EUA não apoiam este ataque e deixou claro para a Turquia que esta operação é uma má ideia", afirmou Trump, em comunicado divulgado pela Casa Branca. De acordo com o magnata, a "Turquia se comprometeu a proteger civis, proteger minorias religiosas, incluindo cristãos, e garantindo que nenhuma crise humanitária ocorra". "Nós vamos cobrá-los por este compromisso", afirmou.

Em telefona com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, o chefe de Estado americano também compartilharam "uma séria preocupação com a invasão da Turquia", informou uma nota de Downing Street, ressaltando que os líderes destacaram "o risco de uma catástrofe humanitária" no nordeste da Síria.

Além dos Estados Unidos e Reino Unido, os ataques estão sendo duramente criticados por outros países, incluindo a Arábia Saudita. Alemanha, Bélgica, França, Polônia e o governo britânico pediram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise.

Agora a noite, uma iniciativa bipartidária foi apresentada no Senado americano para impor sanções à Turquia se o país não retirar seu Exército da Síria.

O objetivo da medida é forçar o governo Trump a congelar ativos nos EUA dos mais altos líderes turcos, incluindo o presidente Erdogan e seus ministros de Relações Exteriores, Defesa, Finanças, Comércio e Energia.

As medidas punitivas também afetariam entidades estrangeiras que vendem armas para Ancara, bem como o setor de energia turco, informou a imprensa norte-americana.

 

Itália -

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, tem "acompanhado com preocupação os últimos acontecimentos no nordeste da Síria", conforme publicou em sua conta no Twitter.

"Pedimos a Turquia para desistir imediatamente da iniciativa militar unilateral que pode prejudicar a estabilidade regional e comprometer a luta contra o Estado Islâmico", escreveu.

O político italiano ainda ressaltou que a ofensiva é mais "um risco de outros sofrimentos para a população" da região. (ANSA)

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