Unidade russa agiu para desestabilizar Europa, diz jornal

Grupo de elite estaria envolvido em pelo menos quatro episódios

Unidade secreta seria subordinada diretamente ao gabinete de Putin
Unidade secreta seria subordinada diretamente ao gabinete de Putin (foto: EPA)
11:11, 09 OutWASHINGTON ZLR

(ANSA) - Uma unidade de elite da Rússia estaria empenhada há pelo menos 10 anos em ações para desestabilizar e criar caos político na Europa por meio de revoltas, sabotagens e assassinatos.

Em uma longa reportagem, o jornal americano The New York Times diz que o agrupamento se chama "Unidade 29155" e é subordinado diretamente ao Kremlin.

Essa força de elite estaria por trás de pelo menos quatro episódios ocorridos nos últimos anos: o impulso a partidos antieuropeus na Moldávia; o envenenamento do traficante de armas Emilian Gebrev, na Bulgária; a tentativa de golpe de Estado em Montenegro; e a tentativa de homicídio contra o ex-espião russo Serghei Skripal, no Reino Unido.

A unidade, segundo o NYT, é formada pelos agentes mais qualificados do Departamento de Inteligência das Forças Armadas da Rússia (GRU), incluindo veteranos das guerras no Afeganistão, na Chechênia e na Ucrânia.

Os quatro episódios citados já eram atribuídos a Moscou por serviços de inteligência na Europa e nos Estados Unidos, mas até então eram vistos como casos sem conexão entre si. A Unidade 29155 foi identificada pela primeira vez após a tentativa de golpe de Estado em Montenegro, em 2016, para impedir a adesão do país à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Mas foi apenas depois do envenenamento de Skripal e sua filha, em Salisbury, em março de 2018, que a unidade passou a ser conectada a outros casos. Segundo o NYT, três membros dessa força secreta viajaram ao Reino Unido um ano antes do ataque ao ex-espião, provavelmente para coletar informações.

Dois deles, identificados pelos pseudônimos Sergei Pavlov e Sergei Fedotov, fizeram parte do grupo que tentou matar o traficante búlgaro Emilian Gebrev em 2015. Algumas dessas operações secretas, como a tentativa de golpe em Montenegro e o ataque a Skripal, não foram bem-sucedidas, mas o objetivo da Rússia seria travar uma "guerra psicológica", independentemente do resultado das ações.

A reportagem do New York Times cita fontes de inteligência de quatro países ocidentais e diz que a Unidade 29155 faz parte de uma estratégia mais ampla do presidente Vladimir Putin, que também contempla ataques cibernéticos e difusão de notícias falsas.

A GRU também é tida como responsável pelas interferências russas nas eleições americanas de 2016 e pelo processo que culminou na anexação da península ucraniana da Crimeia por Moscou, em 2014. (ANSA)

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