Câmara aprova impeachment contra Donald Trump

Se acusações forem aprovadas, processo seguirá para o Senado

Donald Trump é acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso
Donald Trump é acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso (foto: ANSA)
23:58, 18 DezNOVA YORK ZLR

(ANSA) - A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na noite desta quarta-feira (18) o impeachment do presidente Donald Trump.

Foram duas votações. A primeira, com 230 votos a favor e 197 contra, aprovou o artigo sobre abuso de poder em relação à Ucrânia. A segunda, sobre obstrução do Congresso, também foi aprovada.

Com isso, o republicano se tornou o terceiro presidente a sofrer um impeachment na história dos EUA. 

A deputada Tulsi Gabbard, do Partido Democrata, que e pré-candidata à Presidência dos EUA, não votou nem contra nem a favor de nenhumas das acusações de impeachment de Trump. Já os republicanos votaram em bloco contra os artigos do impeachment.

A investigação foi conduzida pela Comissão de Inteligência da Câmara, enquanto a de Justiça elaborou o texto das denúncias contra o magnata republicano. A sessão começou por volta de 9h (11h em Brasília), com uma discussão sobre as regras de votação.

Em seguida, teve início o debate em plenário sobre as acusações, o qual durou mais de 6 horas. Cada uma das denúncias foi votada separadamente, e sua aprovação era dada como certa, já que a oposição democrata tem maioria na Câmara.

Agora, o julgamento do impeachment acontecerá no Senado, dominado pelo Partido Republicano e onde a condenação dependerá do aval de maioria qualificada de dois terços. Ao contrário do que acontece no Brasil, o presidente permanece no cargo durante o processo.

No cenário atual, é improvável que Trump sofra o impeachment. O Partido Republicano conta com 53 senadores, número mais do que suficiente para evitar a deposição do presidente. "Eles querem me tirar (não estou preocupado) e ainda estão violando a lei de muitas maneiras. Como eles podem fazer isso e ainda remover um presidente muito bem-sucedido e que não fez nada de errado? Esse pessoal é louco", escreveu Trump no Twitter.

Na última terça (17), em carta enviada à presidente da Câmara, Nancy Pelosi, o magnata acusou a oposição de declarar "guerra contra a democracia americana" e promover um "golpe de Estado ilegal". Pelosi definiu a mensagem de Trump como "ridícula".

Acusações

Trump é acusado de ter pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a anunciar uma investigação contra Joe Biden, pré-candidato à Casa Branca e cujo filho, Hunter, foi conselheiro de uma empresa ucraniana de gás, a Burisma. Para alcançar seu objetivo, o magnata teria congelado uma ajuda militar de quase US$ 400 milhões a Kiev.

Em um telefonema em 25 de julho, Trump pediu para Zelensky investigar os Biden, mas não mencionou a ajuda militar, que estava bloqueada na época. Já a acusação de obstrução se refere à postura do presidente de instruir membros do governo a não testemunharem no Congresso e não fornecerem documentos oficiais.

A Constituição dos EUA estabelece que um presidente pode ser removido do cargo por "traição, propina ou outros crimes e contravenções graves". Essa última tipologia é definida de forma vaga, mas o Congresso costuma levar em conta três tipos de conduta: uso do cargo para obter ganhos financeiros, abuso de poder ou agir de maneira incompatível com a função.

Até hoje, apenas dois presidentes foram submetidos a processos de impeachment: Andrew Johnson (1868) e Bill Clinton (1998), ambos absolvidos - Richard Nixon renunciou em 1974, evitando um afastamento iminente por causa do escândalo "Watergate". (ANSA)

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