Governador alemão abdica 24h após se aliar à extrema-direita

Coalizão provocou um terremoto político na Alemanha

Protesto em Erfurt, na Alemanha, contra aliança entre liberais e extrema direita
Protesto em Erfurt, na Alemanha, contra aliança entre liberais e extrema direita (foto: EPA)
16:16, 07 FevBERLIM ZLR

(ANSA) - Alianças entre liberais e a extrema direita não são inéditas na história, mas, na Alemanha moderna, bastaram 24 horas para derrubar um governador que havia sido eleito com o apoio de um partido que flerta com o neonazismo.

O caso ocorreu na Turíngia, pequeno estado da porção oriental do país e que realizou eleições regionais em 27 de outubro de 2019.

Na ocasião, o partido A Esquerda terminou na primeira posição, com 31% dos votos, mas o grande destaque foi a ascensão da legenda de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que cresceu quase 13 pontos e chegou a 23,4%, ultrapassando a conservadora União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler Angela Merkel, com 21,7%.

No terceiro turno da votação no Parlamento regional para escolher o novo governador, na última quarta-feira (5), o candidato do Partido Liberal-Democrático (FDP), Thomas Kemmerich, surpreendeu e acabou eleito com 45 dos 90 votos possíveis, superando Bodo Ramelow (A Esquerda), com 44.

Além dos cinco legisladores do FDP, Kemmerich contou com parte dos votos da CDU, mas o apoio decisivo veio do AfD. Essa foi a primeira vez que a Alemanha teve um governador eleito com apoio de um partido de extrema direita desde o fim da Segunda Guerra.

A vitória de Kemmerich com suporte da AfD gerou reações imediatas, inclusive de Merkel, que chamou a aliança de "imperdoável". "Foi um péssimo dia para a democracia", disse. Já A Esquerda acusou o FDP de preferir se aliar aos "fascistas" do que ficar fora do governo.

Na cerimônia de posse do governador, a deputada esquerdista Susanne Hennig-Wellsow, que deveria entregar um ramo de flores nas mãos de Kemmerich, atirou o buquê nos seus pés e virou as costas.

O caso gerou ainda mais controvérsia porque o diretório da Turíngia é um dos mais radicais dentro da AfD. O líder local, Bjorn Hocke, já chegou a pedir a abolição da lei que pune a negação do Holocausto e criticou um memorial aos judeus exterminados na Segunda Guerra Mundial.

Na tarde de quinta-feira (6), no entanto, Kemmerich cedeu às pressões e renunciou ao cargo de governador, 24 horas depois de ter sido eleito. Com isso, a região provavelmente terá eleições antecipadas, embora a CDU ainda resista a voltar às urnas.

"A Turíngia é um caso sério para o FDP e para a cultura política de nosso país. Não teremos nenhuma forma de cooperação [com a extrema-direita], nem por acaso ou involuntariamente", disse o líder dos liberais, Christian Lindner. (ANSA)

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