TPI investigará crimes de guerra no Afeganistão

Inquérito pode atingir tropas americanas e o grupo Talibã

Militares afegãos em posto de controle em Helmand
Militares afegãos em posto de controle em Helmand (foto: EPA)
10:44, 05 MarBRUXELAS ZLR

(ANSA) - Poucos dias após a assinatura do histórico acordo de paz entre Estados Unidos e o grupo terrorista Talibã, a câmara de apelação do Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, nos Países Baixos, autorizou nesta quinta-feira (5) a abertura de uma investigação sobre supostos crimes de guerra cometidos no Afeganistão desde 2003.

O inquérito pode abarcar inclusive a operação de tropas americanas no país asiático. "A câmara de apelação decidiu que o procurador está autorizado a investigar supostos crimes cometidos no território da República Islâmica do Afeganistão a partir de 1º de maio de 2003, além de outros supostos crimes ligados ao conflito armado no Afeganistão e cometidos em outros Estados desde julho de 2002", diz uma nota do TPI.

A autorização reverte uma decisão tomada em 12 de abril de 2019 pela câmara preliminar da corte internacional, que havia rechaçado a abertura da investigação com o argumento de que isso "não serviria aos interesses da justiça".

Os Estados Unidos não fazem parte do TPI, que se ocupa de crimes de guerra e contra a humanidade quando os países não se mostram dispostos ou capazes de levar os casos à Justiça.

Em abril passado, o governo americano chegou a revogar o visto de entrada de uma procuradora do tribunal, a gambiana Fatou Bensouda, autora do pedido para apurar denúncias de crimes de guerra supostamente cometidos pelas forças dos EUA, por militares do Afeganistão e pelo Talibã.

O grupo fundamentalista governou o país asiático de 1996 a 2001, até ser derrubado pela invasão americana - Washington acusava a milícia de dar proteção a Osama bin Laden, mentor dos atentados de 11 de setembro. Após sua queda, o Talibã iniciou uma insurgência que segue ativa até hoje.

No último fim de semana, o grupo e os EUA assinaram um acordo de paz que promete colocar fim a mais de 18 anos de um conflito que já matou quase 160 mil pessoas, segundo o projeto "Custos da Guerra", do Instituto Watson para Estudos Internacionais da Universidade Brown, nos Estados Unidos. (ANSA)

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