Supremo da Austrália começa a julgar cardeal condenado por pedofilia

George Pell cumpre pena de 6 anos de detenção desde 2018

Apoiadores de George Pell estiveram em frente ao tribunal para demonstrar apoio ao cardeal
Apoiadores de George Pell estiveram em frente ao tribunal para demonstrar apoio ao cardeal (foto: EPA)
14:22, 11 MarSYDNEY ZGT

(ANSA) - A Alta Corte da Austrália, o principal tribunal do país, começou a julgar nesta quarta-feira (11) a última apelação do cardeal George Pell, 78 anos, contra a condenação por pedofilia. O prelado foi sentenciado a seis anos de detenção pelo crime pela Justiça australiana, em decisão que foi confirmada pela Corte de Apelação por dois votos a um.

Pell foi responsabilizado pelo abuso sexual de dois meninos de 13 anos em 1996 na sacristia da catedral de Melbourne, quando era o arcebispo da diocese. A condenação teve como principal base o depoimento de um dos abusados, o outro faleceu em 2014.

Durante a avaliação da Corte de Apelação da decisão proferida em dezembro de 2018, dois juízes consideraram o depoimento crível , mas um dos magistrados questionou as informações.

Por isso, nesta quarta-feira, a defesa do religioso usou como base as dúvidas apresentadas pelo juiz, que havia recomendado a anulação da pena. O advogado de Pell, Bret Walker, afirmou durante a audiência que os magistrados que condenaram seu cliente erraram ao rejeitar as argumentações da defesa e ressaltaram que não havia tempo suficiente para que o então arcebispo cometesse o crime.

Segundo Walker, a sacristia era um local de diversas atividades durante o período informado e que seria "fisicamente impossível" cometer o crime no local naquele momento. Além disso, ele informou que o chefe de cerimônias da época informou, durante o processo, que após as missas, Pell ia saudar os fiéis dentro da catedral e não se dirigia à sacristia conforme o depoimento da vítima. Por isso, pediu a anulação da pena e a libertação do religioso.

Nesta quinta-feira (12), será a vez da acusação apresentar-se perante aos juízes. Os advogados já se manifestaram por escrito afirmando que a defesa "oferece um cenário incompleto e impreciso dos fatos".

De acordo com analistas australianos, não está claro o que o Supremo australiano decidirá: se rejeitarão pedido, deixando Pell preso; se aceitarão as argumentações da defesa, libertando o religioso; se reenviarão o caso para a Corte de Apelação; ou ainda se paralisarão o caso solicitando mais informações para ambas as partes. A certeza, no entanto, é que a decisão deverá demorar meses para ser divulgada.

O cardeal católico é o mais alto membro da hierarquia da Igreja a ser sentenciado por abusos sexuais contra menores de idade. Além de ter sido prefeito da poderosa Secretaria de Economia do Vaticano, ele era membro ativo do Conselho de Cardeais do Vaticano - em convocação do próprio papa Francisco -, e um de seus mais próximos conselheiros. (ANSA)

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