Supremo impede Trump de acabar com programa para dreamers

Projeto ampara cerca de 650 mil jovens imigrantes

Programa dreamers não pode ser desativado, decide Suprema Corte
Programa dreamers não pode ser desativado, decide Suprema Corte (foto: EPA)
14:39, 18 JunWASHINGTON ZGT

(ANSA) - A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou nesta quinta-feira (18) a tentativa do presidente Donald Trump de acabar com o programa de amparo para cerca de 650 mil jovens imigrantes que chegaram ao país ainda crianças.

A votação foi apertada, por 5 votos a 4, e só foi definida a favor do programa por conta da postura do presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts, que votou ao lado dos liberais.

Na justificativa, os juízes afirmaram que seria "caprichoso e arbitrário" acabar com um programa que visa legalizar pessoas que sequer têm recordações de seus países de origem, dando permissão de trabalho para os jovens e evitando suas deportações.

A Ação Diferida para Chegadas na Infância (Daca), também conhecida como programa "Dreamers", foi instituída em 2012 pelo então presidente Barack Obama. A medida ampara a situação dos jovens que entraram nos EUA de maneira irregular, mas que foram levados por seus pais - ou seja, sem que eles "tivessem culpa". A cada dois anos, os beneficiados pelo Daca precisam passar por nova validação, já que o programa não concede residência permanente para eles.

Desde 2017, Trump tenta barrar o programa por diversos caminhos, já que o combate à imigração ilegal é uma de suas bandeiras tanto de campanha como de governo. Após a decisão, inclusive, o mandatário criticou a decisão como "horrível".

"Essas decisões horríveis e politicamente motivadas que chegam da Suprema Corte são tiros na cara das pessoas que se sentem republicanos ou conservadores. Nós temos a necessidade de mais juízes ou perderemos a nossa segunda emenda [sobre a posse de armas]. Vote Trump 2020", escreveu em sua conta no Twitter depois de ironizar que tem a impressão que a Corte não gosta dele.

A fala do presidente se refere também a outra derrota do republicano nesta semana, quando a Suprema Corte garantiu que pessoas homossexuais e transgêneros não podem ser discriminados no mercado de trabalho.

Por outro lado, Obama celebrou a decisão e se disse "feliz" com o julgamento.

"Há oito anos, nós protegemos jovens pessoas que cresceram como parte da nossa família americana da deportação. Hoje, eu estou feliz por elas, suas famílias, e por todos nós. Nós podemos parecer diferentes e termos vindo de todos os lugares, mas o que nos faz americanos são nossos ideais compartilhados e agora é tempo de lutar por esses ideais", postou no Twitter, pedindo o voto dos cidadãos no democrata Joe Biden.

O candidato, que foi ex-vice-presidente de Obama, também se manifestou na rede social após a decisão, afirmando que ela é uma "vitória tornada possível pela coragem e pela resiliência de milhares de dreamers que saíram a campo e rejeitaram ser ignorados". (ANSA)

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