China convoca embaixador dos EUA por crise em Hong Kong

Trump assinou texto com sanções aprovado no Congresso

Norte-americanos tiraram status especial do território autônomo após implementação da nova lei de segurança
Norte-americanos tiraram status especial do território autônomo após implementação da nova lei de segurança (foto: EPA)
13:37, 15 JulWASHINGTON E PEQUIM ZGT

(ANSA) - A China convocou nesta quarta-feira (15) o embaixador dos Estados Unidos para prestar esclarecimentos sobre as sanções impostas por Washington devido à lei de segurança nacional para Hong Kong.

O Ministério das Relações Exteriores chinês também prometeu medidas recíprocas para "tutelar seus interesses legítimos". A medida chega após o presidente americano, Donald Trump, ter tirado o status especial de Hong Kong e firmado uma lei com sanções contra políticos e bancos da China.

O republicano anunciou a assinatura do texto, aprovado por unanimidade tanto pela Câmara dos Representantes como pelo Senado, nesta terça-feira (14), acrescentando que "conseguiu convencer muitos países" a não comprarem ou usarem produtos da gigante chinesa de tecnologia Huawei.

Entre os citados, estava o Reino Unido, que no mesmo dia proibiu que a empresa forneça equipamentos e tecnologia para sua futura rede 5G. Os britânicos, ao lado dos EUA, são os que mais reagiram à lei chinesa para Hong Kong.

"A liberdade foi tirada deles, os direitos foram tirados deles. E assim se vai Hong Kong, porque não vai conseguir mais competir no mercado, na minha opinião. Muitas pessoas deixarão Hong Kong", declarou Trump.

Com a nova legislação, além das punições aos dirigentes políticos que tenham alguma relação com a implementação da lei de segurança, os americanos também querem forçar os bancos a tomarem posição, já que visa a punir todas as instituições financeiras internacionais que façam negócio com Pequim por transações em Hong Kong.

Essa é a terceira vez em menos de um mês que EUA e China aplicam sanções e respostas por conta de legislações polêmicas. No dia 13 de julho, Pequim anunciou punições contra três políticos e um embaixador americanos por conta da crise dos uigures, uma minoria muçulmana alvo de perseguição. Pouco antes, as sanções atingiram grandes empresas de comunicação.

Lei de Segurança Nacional

A polêmica lei de segurança nacional entrou em vigor em Hong Kong no dia 30 de junho e, entre os sete novos artigos que foram adicionados à Lei Básica - a pequena Constituição do território -, o mais polêmico deles é o quarto.

No artigo, a China foca em casos de secessão e subversão, terrorismo e interferência de governos estrangeiros, aumentando tanto o rol de crimes relacionados a esses temas como as punições para quem for condenado.

Além disso, também permite a instalação de agências de segurança e inteligência que não precisam se submeter ao governo local, reportando-se diretamente para Pequim. Segundo o governo chinês, a medida quer alinhar uma legislação que era muito ampla.

No entanto, governos internacionais afirmam que as medidas atingem em cheio aqueles que querem protestar contra Pequim, pedindo por mais democracia, e ferem o princípio de "um país, dois sistemas", que garantia um status semiautônomo ao território. (ANSA)

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